
A empresa de Elon Musk que faz chips cerebrais e a bióloga brasileira que desenvolveu a polilaminina

03/08/2026 às 12:17 Opinião

Neuralink, a empresa fundada por Elon Musk em julho de 2016, desenvolve chips cerebrais implantáveis para conectar o cérebro a computadores, restaurar funções perdidas de movimento, fala e visão e, no longo prazo, permitir comunicação de alta velocidade entre seres humanos e inteligência artificial. Em fase de ensaios clínicos, já está operacional, mas ainda não é um produto comercial disponível para o público em geral.
O primeiro implante ocorreu em janeiro de 2024. O paciente pioneiro, Noland Arbaugh, ficou tetraplégico em 2016, aos 22 anos, após um acidente de mergulho. Desde então, usa o dispositivo que apelidou de “Eve” para controlar o cursor do computador apenas com o pensamento, o que lhe permite jogar xadrez online, navegar na internet, estudar e recuperar parte da independência digital que havia perdido.
Enquanto a Neuralink e seus engenheiros apostam em contornar a lesão, a bióloga brasileira Dra. Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), desenvolveu a polilaminina a partir de pesquisas iniciadas em 1997. Essa proteína experimental estimula e restaura a comunicação natural dentro da medula espinhal.
Em um estudo preliminar com oito pacientes com lesão medular completa, seis recuperaram parte dos movimentos (75% dos casos), e um deles voltou a andar. Outros pacientes tratados experimentalmente também relataram ganhos de sensibilidade e mobilidade. Embora ainda em fase experimental, os resultados superam as taxas históricas de recuperação espontânea de 10% a 15%.
Já a Neuralink conta com mais de 20 participantes em ensaios clínicos. Seu chip permite que pessoas com paralisia controlem computadores, celulares e braços robóticos apenas com o pensamento. Até o momento, nenhum paciente recuperou os movimentos naturais dos próprios membros, mas vários conquistaram autonomia digital e física por meio de dispositivos externos.
As duas metodologias são complementares. Enquanto a polilaminina busca reparar a medula e restaurar a comunicação natural entre cérebro e corpo, a Neuralink contorna a lesão, lendo sinais cerebrais e convertendo-os em comandos externos.
Uma integração entre a proteína e o chip poderia criar um tratamento híbrido, acelerando o caminho para devolver não apenas independência digital, mas a capacidade real de andar, segurar objetos e recuperar sensações.
Espero que a descoberta da Dra. Tatiana Coelho de Sampaio possa ser incorporada ao trabalho da Neuralink. A combinação da medicina regenerativa com a tecnologia que conecta o cérebro a computadores tem o potencial de revolucionar o prognóstico de milhares de pessoas com lesão medular, abrindo caminho para curas até então consideradas inalcançáveis.
Lucia Sweet
Jornalista











