"A revolta de Atlas" ou "Quem é John Galt?"

Os títulos acima remetem a obra mais famosa da escritora Ayn Rand.

Primeiramente, o livro foi chamado como "Quem é John Galt?".

Depois, recebeu outra roupagem editorial e foi chamado "A revolta de Atlas" e passou a ser vendido em box com 3 volumes.

Coisas que as editoras por vezes fazem, para melhorar as vendas e chamar a atenção dos leitores, através de novas formas mercadológicas.

Se valeu a pena?

Valeu, e muito!

A possibilidade de algum leitor se interessar por um livro com o título "Quem é John Galt?" é praticamente zero. Com uma única exceção, é claro: se conhecesse algo sobre a vida da autora.

Com o título "A revolta de Atlas", a obra passou, realmente, ao meu ver, a traduzir aquilo que Ayn Rand se propôs, mas, destaco, esta é apenas minha interpretação particular.

Senão vejamos: Atlas é o conhecido titã condenado por Zeus a sustentar para sempre o peso dos céus. Exatamente por isso o referido titã que conhecemos nos livros aparece carregando um globo (simbolizando o mundo) nas costas.

Aliás, não é por acaso que a 1ª vértebra de nossa coluna cervical se chama Atlas.

Exatamente porque esta vértebra, digamos assim, se encarrega de sustentar o crânio, onde temos nosso cérebro, símbolo da razão humana, ou seja, o nosso mundo racional.

Por que então o nome "A revolta de Altas"?

Este é o principal foco da obra de Ayn Rand.

Já imaginaram se, simplesmente, todos nós, tivéssemos a revolta da 1ª vértebra que sustenta nosso crânio, como se ela, simplesmente, "desaparecesse sem deixar recado" e deixasse nossa razão "em órbita"?

Já imaginaram o que seria e como seria o mundo, se todas aquelas pessoas que ou são exemplo, ou são importantíssimas atualmente para nossas vidas, nas suas mais diversas áreas do conhecimento, simplesmente, "desaparecessem também sem deixar recados", impossibilitando que encontrássemos respostas e soluções efetivas, para os momentos mais decisivos e importantes que vivemos?

Esta é a forma particular que vejo na obra de Ayn Rand e o primor que foi e é a escolha em "A revolta de Atlas".

Porque é exatamente isso que ocorre na obra: todas estas pessoas (através de nomes de personagens fictícios) começam a "desaparecer".

Muitos destes personagens, em suas respectivas áreas de conhecimento, querem exatamente mudar o mundo em que estão imersos. E nesta busca, experimentam toda espécie de contestações, de óbices, de mecanismos pedestres que os homens pequenos engendram, para impedir que isso ocorra, porque se o escuro não permite a ninguém ver, o excesso de luz ofusca e pode cegar aqueles que pouco vêem.

Mas... sei que muitos irão se questionar e "John Galt"?

Pois bem, tanto ele é um dos personagens centrais como "Quem é John Galt?" é uma das perguntas que a autora nos convida a refletir quando estamos diante deste impasse, nos mais diversos momentos da vida dos personagens, como em nossas próprias vidas.

Mais, John Galt é quem propõe que o homem precisa construir um novo motor, o que denota que essa "construção de um novo motor" seria, ao meu entender, novos eixos, novos processos, novas formas de pensar, novas formas de acesso, enfim, alterar o sistema e o ponto de equilíbrio da própria humanidade, porque nestes em que nos encontramos e sob os quais nos apoiamos, ou estamos ligados, de alguma forma, se encontram completamente obsoletos.

Sabe os personagens que "desaparecem sem deixar recados" que referi acima?

Pois é... esta parte eu não vou contar, porque aí está o encanto da obra.

Ora, este amigo aqui jamais recomendaria um filme e contaria o final.

Tive a oportunidade de adquirir as duas obras, que na verdade são a mesma (A revolta de Altas / Quem é John Galt).

É um livro fantástico e recomendo a leitura a todos.

Nestas horas que o mundo (e em especial o Brasil) procura e precisam ter Homens (com caráter e retidão) e com mentes que tenham capacidades e condições reais, para dar as respostas mais efetivas é que me pergunto:

-"Quem é John Galt"?

Boa leitura a todos.

Pedro Lagomarcino

Advogado em Porto Alegre (RS)

Siga-nos no Twitter!

Mais de Pedro Lagomarcino

Comentários