O ex-deputado estadual de Mato Grosso do Sul Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk (PL), foi preso no domingo (2) na Bolívia, encerrando o período em que era considerado foragido da Justiça brasileira. Condenado por envolvimento em um esquema relacionado à exploração ilegal do jogo do bicho, ele foi levado para Corumbá (MS) e deverá ser transferido para Campo Grande, onde cumprirá a pena determinada pela Justiça.
A ordem de prisão havia sido expedida em dezembro de 2025. No entanto, a decisão não foi executada enquanto Neno Razuk exercia o mandato de deputado estadual, já que a imunidade parlamentar impedia o cumprimento da medida naquele momento.
A situação mudou em maio deste ano, quando uma recontagem dos votos das eleições de 2022 alterou a composição da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Com a perda do mandato para João César Mattogrosso, o ex-parlamentar deixou de contar com a prerrogativa e passou a responder ao processo sem a proteção conferida pelo cargo.
Em 8 de julho, Neno Razuk passou a ser considerado foragido da Justiça. A prisão ocorreu após ele ser localizado por autoridades bolivianas, que realizaram sua captura e permitiram o retorno ao território brasileiro.
O ex-deputado é um dos réus da quarta fase da Operação Successione, investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul.
Segundo a acusação, a organização investigada buscava assumir o controle da exploração do jogo do bicho no estado após o enfraquecimento de outro grupo criminoso atingido anteriormente pela Operação Omertà.
Além de Neno Razuk, também respondem ao processo o pai dele, Roberto Razuk, os irmãos Jorge Razuk e Rafael Razuk, além de outros investigados apontados como integrantes do esquema.
As investigações também indicam que membros da organização teriam participado de roubos contra funcionários de um grupo rival que explorava a mesma atividade ilegal em Campo Grande, ampliando o escopo das apurações.
Durante o cumprimento de mandados, os investigadores localizaram um imóvel apontado como centro de operações da organização. No local foram apreendidas mais de 700 máquinas utilizadas na exploração do jogo do bicho, além de computadores, celulares, documentos e planilhas que passaram a integrar as provas do processo.
Conforme o Ministério Público, os materiais recolhidos indicam que a organização movimentava cerca de R$ 600 mil por mês com a exploração da atividade em municípios de Mato Grosso do Sul.
Também foram apreendidos R$ 274 mil em espécie, mais de 1 mil euros em dinheiro e diversos documentos considerados relevantes para o andamento da investigação.
Com base nas provas reunidas, o Ministério Público requereu o bloqueio de R$ 36 milhões em bens atribuídos à família Razuk.
Além da pena de prisão, a condenação prevê a perda do mandato parlamentar — já efetivada após a alteração na composição da Assembleia Legislativa — e a proibição de exercer cargo público pelo período de oito anos.
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da Redação