

O ex-deputado Neno Razuk foi preso na Bolívia no domingo. Deve cumprir pena em Campo Grande (MS), capital do estado. Até maio ele era deputado e estava protegido da condenação a mais de quinze anos de prisão. Perdeu o mandato. Perdeu a proteção. E teve que empreender fuga.
A história não começa nele. É coisa de família. O pai, Roberto Razuk, também foi deputado e é um dos herdeiros do Rei da Fronteira quando o jogo do bicho de Mato Grosso do Sul foi repartido nos anos 1990. Naquele tempo o bicho não se escondia: era anunciado no rádio e nos jornais.
A mãe de Neno, Délia, foi prefeita de Dourados. E ele como deputado chegou à Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, defendendo causas sociais, enquanto, segundo o Ministério Público, tocava a mesma engrenagem do pai, agora com máquinas eletrônicas no lugar da banca de esquina.
O que derrubou Neno não foi a condenação criminal. Foi uma recontagem de votos, provocada por fraude de gente do próprio partido, que lhe tirou o mandato e, com ele, a proteção do foro. Sem blindagem, veio a decretação da prisão preventiva, a fuga rumo à Bolívia, e veio o fim de linha: detido numa abordagem de trânsito do outro lado da fronteira.
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