A Grande traição | O Grito de Socorro de Michel Temer ecoa no planalto goiano

Lula se apresenta como o catalizador das forças de ontem e de hoje para salvar Dilma e o PT

O Brasil está vivendo um momento realmente sui generis.

O Partido dos Trabalhadores conseguiu a proeza de trazer para o palco da governança dois monstros sob a forma de crise: a econômica e a política.

Enredado nas teias da corrupção, como parece estar seus condestáveis, próceres e sectários resolveram urdir um cenário de expectativas falsas para tirar de sobre a presidente Dilma Rousseff o foco do escárnio popular e afastar o fantasma do “impeachment”, cuja possibilidade até semana passada era mais passível de acontecer; agora, há dúvidas.

Após apresentar em seu programa partidário uma enxurrada de enormidades que se chocam com a realidade, além de, ofender a percepção e a inteligência do povo brasileiro, o governo resolveu partir para o ataque contra os seus desafetos e se unir a outros refratários tão ou mais condenáveis nas suas atitudes que agridem este país, para manter-se no poder e sustentar o posto da presidência até o final do quarto mandato do partido e, preferencialmente, sustentando o estandarte da probidade.

Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, desgarrou-se da manada e deu atalho para os lobos. Renan Calheiros, presidente do Senado, apressou-se em ser o Messias, o Salvador, dando as costas para o colega Cunha e, a partir da construção de uma agenda propositiva presenteou Dilma Rousseff que não tinha mais nenhuma nota sequer para oferecer à Nação.

Eduardo Cunha e Renan Calheiros estão até o pescoço no imbróglio do Petrolão, assim como Lula, de quem cada vez mais se aproxima o elo que o liga a um cestão de crimes e um par de algemas.

O que tem acontecido nos últimos dias em Brasília é algo inédito e descarado. Chega a ser vergonhoso!

No último dia três, Dilma Rousseff, ofereceu um churrasco a presidentes e lideranças dos partidos aliados no Palácio da Alvorada. Na segunda, recebeu 43 senadores da base e 21 ministros. Nesta terça (11), foi a vez de juntar num convescote com cinco titulares do Supremo — Ricardo Lewandowski (presidente), Dias Toffoli (que preside o TSE), Rosa Weber, Luís Roberto Barroso e Luiz Edson Fachin —, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot; os presidentes dos demais tribunais superiores; o vice-presidente Michel Temer; os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União) e o presidente da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho.[1]

A despeito de outros temas supostamente tratados nas ocasiões listadas, o Dia do Advogado e a criação dos primeiros cursos jurídicos no país foram o objeto do convescote. – Alguém acredita?

Ao que parece tudo leva a crer que está em marcha uma grande maquinação para varrer para debaixo do tapete crimes e criminosos e manter na impunidade todos – com algumas exceções – que de uma forma ou de outra se locupletaram do Tesouro Nacional, com anuência ou omissão daqueles que têm o dever de zelar pelo Patrimônio Público, pela Ordem Social, pelo cidadão, enfim, pela – em suma – saúde e integridade da Constituição da República Federativa do Brasil.

Por dever de consciência, devo acrescentar a esse nefasto rol a Crise da Ética e da Moral que soçobra entre os condestáveis deste Estado chamado Brasil.

Sugiro a leitura do texto seguinte:

[2]“12/08/2015 às 16h11min

CONTRA O ARRANJÃO – Alô, Movimento Brasil Livre! Alô, Revoltados Online! Alô, Vem Pra Rua! Alô, decentes! É hora de cobrar Janot, Renan e ministros do TCU

É na hora de a onça beber água que se testam as convicções, inclusive a de falsas vestais que conseguem se esconder em biombos de moralidade de ocasião. Se há quem ainda não tenha entendido, então sou mais claro: ESTÁ EM CURSO UMA MEGA-ARMAÇÃO EM BRASÍLIA PARA LIVRAR A CARA DOS VERDADEIROS RESPONSÁVEIS PELO PETROLÃO E CULPAR OS SUSPEITOS DE SEMPRE E OS INIMIGOS DE ESTIMAÇÃO DA IMPRENSA.

A armação é gigantesca, bem urdida e nem sempre fácil de entender. Mas os passos estão sendo dados. Contei aqui de manhã um dos sonhos de impunidade que se desenham em Brasília:

1: Rodrigo Janot livraria a cara de Renan Calheiros, não oferecendo denúncia contra o presidente do Senado — também se safariam os senadores petistas Humberto Costa (PE) e Gleisi Hoffmann (PR);

2: Renan faria valer a sua influência no Senado para aprovar a recondução de Janot ao cargo — e alguns imbecis diriam que a troca vale a pena. Como é mesmo? Tudo pela moralidade da Lava Jato!

3: Mas não só! Renan precisa se livrar da Lava Jato porque é a nova âncora de estabilidade escolhida pelo Planalto. De quebra, ele “influenciaria” três votos no TCU, antes contrários a Dilma: Bruno Dantas, Raimundo Carreiro e Vital do Rêgo.

O primeiro passo do sonho já começa a ser realidade. O TCU já anunciou o adiamento da votação do relatório. Em tese, o governo ganhará mais tempo para dar resposta a suas dúvidas. De fato, esse é o tempo necessário da cooptação. Também se espera um abrandamento da fervura.

Leio hoje no Painel da Folha que o terrível Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que deve ser, de fato, o homem mais poderoso do Brasil, teria orientado seus seguidores a pôr Renan Calheiros na mira das manifestações. Vai ver também faço parte dessa nova conspiração… Sim, é preciso pôr Renan na mira das manifestações porque é evidente que o “arranjão Fica-Dilma” passa por ele.

Que peninha! Não combinei antes com o deputado. Não falo com ele ou com qualquer assessor seu desde o dia 13 de julho, quando concedeu uma entrevista ao programa “Os Pingos nos Is”, que ancoro na Jovem Pan — antes ainda de Júlio Camargo tê-lo acusado de ter recebido US$ 5 milhões de propina. Coisas assim são sempre comprováveis porque parto do princípio de que não existe mais sigilo telefônico (ou de qualquer natureza) no país.

Mas não é só Renan, não! Também Rodrigo Janot deve ser alvo do interesse dos movimentos de rua que cobram a saída de Dilma. O acordão que está em curso depende também da sua participação. Ah, sim, se quiserem, merecem atenção alguns ministros do Supremo: sabem como é… São eles que aceitam ou rejeitam as denúncias oferecidas pela Procuradoria.

O jogo que se trava em Brasília é por demais óbvio, não é mesmo? Sim, claro!, podemos considerar mera coincidência que Lula estivesse discursando para as ditas “margaridas”, nesta terça, em patuscada financiada por estatais, enquanto Dilma discursava em jantar para Janot, cinco ministros do Supremo, três ministros de estado e presidentes de demais tribunais superiores.

No dia seguinte, nesta quarta, a Câmara dos Deputados foi cercada pelas ditas margaridas, como direi?, “PTeladas”, que pedem, ora vejam, a cabeça de Eduardo Cunha. Fosse porque ele está na Operação Lava Jato, também cobrariam a de Renan, Vaccari e outros. Mas não! Não estão contra ele por seus eventuais e supostos crimes, mas porque ele é, afinal, um adversário do governo.

É preciso, sim, que as ruas passem a cobrar também o procurador-geral da República. Por que não? Como sabe qualquer um que se ocupe da Constituição e da jurisprudência do Supremo, a presidente Dilma pode, sim, no mínimo, ser investigada em inquérito. Quanto ao oferecimento de denúncia, há uma controvérsia, a meu ver, sobre o nada — e bastaria, para tanto, ler o que está na Carta. Em vez disso, Janot está indo jantar com Dilma para comemorar o Dia do Advogado… Tenham paciência!

O “Arranjão” já está combinado. É preciso ver, agora, se as ruas, ao denunciar a farsa, conseguem desfazê-lo. Não é fácil. A máquina, como se nota, é poderosa e opera em várias frentes: no Legislativo, no Judiciário, no Ministério Público, no TCU, nos ditos movimentos sociais, na imprensa. Enfrentar a hegemonia que as esquerdas firmaram nesses anos não é tarefa simples.

E só para arrematar. Há muito tempo vislumbro um acordão sendo desenhado — afinal, a um analista cabe ir além do calor da hora e da simples torcida. Idiotas gritam aqui e ali. Se não o fizessem, idiotas não seriam. O tempo está se encarregando de esclarecer as coisas. No dia 22 de fevereiro, escrevi aqui:

(…)

 Muito bem! O Brasil está de olho em Rodrigo Janot, procurador-geral da República. E espera-se que Rodrigo Janot esteja de olho no Brasil, mais preocupado em dar a resposta necessária à impressionante sucessão de descalabros na Petrobras do que em, digamos, “administrar” a denúncia para amenizar a crise política. Esse é, afinal, um papel que cabe aos… políticos. Sim, é preciso que a gente acompanhe com lupa o trabalho do Ministério Público Federal.

Janot andou a pensar alto por aí. E este blog revela um desses pensamentos, prestem atenção: “Passei a régua e, felizmente, Lula e Dilma estão limpos”. É? Então é hora de voltar à prancheta.

 (…)

 Um dos interlocutores frequentes de Cardozo, diga-se, tem sido justamente Janot. E isso não é bom. É evidente que um procurador-geral deve manter relações institucionais com o ministro da Justiça. E só! Em dias como os que vivemos, conversas cordiais entre quem investiga e porta-vozes informais de investigados não parecem constituir atitude muito prudente.

 (…)

 A hipótese de que o petrolão chegue à fase de julgamento como mero esquema de assalto aos cofres do país, protagonizado por empreiteiros que decidiram corromper agentes públicos, é coisa ainda mais grave do que uma mentira: É UMA CORRUPÇÃO DA VERDADE. Tal leitura busca absolver o PT de seu crime principal: O ASSALTO À INSTITUCIONALIDADE.”

Por Reinaldo Azevedo

JM Almeida


[1] http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/dilma/

[2] Por Reinaldo Azevedo

JM Almeida

João Maurino de Almeida Filho. Bacharel em Ciências Econômicas e Ciências Jurídicas. 

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