O banco que virou um “morto-vivo” na praça bancária

Ler na área do assinante

Fosse o BRB um banco privado, o Banco Central teria há muito decretado a sua liquidação. Por motivos não tão misteriosos assim, o Banco estatal de Brasília continua como um morto-vivo na praça bancária.

Lembrando como funciona um banco. De um lado, temos pessoas que depositam seus recursos no banco. Do outro, o banco empresta esses recursos para outras pessoas que precisam do dinheiro. No meio, temos o capital do banco, que serve como um colchão para absorver um certo nível de inadimplência. No Brasil, esse colchão deve ser de, no mínimo, 11% do total de empréstimos. Assim, se houver 11% de inadimplência, o capital do banco será suficiente para cobrir os depósitos feitos por aqueles que investiram no banco. Bancões mais conservadores tem um colchão (chamado de “índice de Basiléia”) mais conservador. Por exemplo, o índice de Basiléia do Itaú é de 16%.

Qual é o colchão do BRB? Não sabemos, porque o banco não divulga balanço desde o ano passado. Depois que torrou o dinheiro dos depositantes em ativos bichados do Banco Master, é provável que o capital do BRB esteja negativo. É para recompor esse capital que o governo do DF está pleiteando um empréstimo de R$ 6,6 bilhões do FGC, com garantia de seus próprios fluxos de impostos. Como os bancos avaliam que essas garantias são muito frágeis juridicamente, estão reticentes em autorizar esse empréstimo.

Agora, o governo do DF quer mostrar aos bancos que tem capacidade de pagamento, independentemente das garantias. Acompanhem comigo: o governo do DF quer convencer banqueiros experimentados a emprestarem dinheiro, na prática, sem garantias, para um ente da Federação da República brasileira. E isso, para torrar em um banco estatal sem a mínima condição de continuar existindo. Vai dar certo sim.

A questão é que, provavelmente, esses R$ 6,6 bilhões já são insuficientes para recompor o colchão necessário para o BRB voltar a operar normalmente. E pior: quem vai agora, em sã consciência, depositar seus recursos no BRB, tendo como alternativas bancos estatais muito mais sólidos, como Banco do Brasil e Caixa? Ou seja, o BRB é um defunto apodrecendo ao relento, e pedindo por um enterro digno.

Faltam pouco mais de três meses para o 2º turno das eleições. Desconfio que seja este o horizonte para o BC finalmente organizar o sepultamento.

Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.

Um recado para nossos assinantes: MUITO OBRIGADO! É com a sua ajuda que conseguimos continuar nessa árdua batalha.

Você que ainda não é um assinante, considere essa possibilidade. O valor é muito baixo - apenas R$ 19,90 mensais, que fazem toda a diferença no JCO. Para assinar é muito simples, basta clicar no link: https://assinante.jornaldacidadeonline.com.br/apresentacao

SEU APOIO É MUITO IMPORTANTE! CONTAMOS COM VOCÊ!

da Redação
Ler comentários e comentar
Ler comentários e comentar

Nossas redes sociais

Facebook

Siga nossa página

Seguir página

Twitter

Siga-nos no Twitter

Seguir

YouTube

Inscreva-se no nosso canal

Inscrever-se

Instagram

Siga-nos no Instagram

Seguir

Telegram

Receba as notícias do dia no Telegram

Entrar no canal

Rumble

Inscreva-se no nosso canal

Inscrever-se

Gettr

Siga-nos no Gettr

Seguir

Truth

Siga-nos no Truth

Seguir