O STF investiga a fonte e atenta contra a imprensa que permanece em covarde silêncio

Ler na área do assinante

Siga o Jornal da Cidade Online no Google

Acompanhe as principais notícias do momento direto nos resultados de busca.

Adicionar

A imprensa tem o direito constitucional ao sigilo da fonte. É a garantia prevista no art. 5º, XIV, da nossa Carta Magna. Sem essa proteção, impossível a imprensa realizar o seu trabalho e fazer as investigações necessárias contra os detentores do poder.

O ministro Alexandre de Moraes determinou, em março, busca e apreensão contra o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, autor de reportagens sobre o uso irregular de veículos oficiais do TJ-MA por familiares do ministro Flávio Dino.

Celular e notebook foram apreendidos, e foi justamente a análise desses equipamentos que permitiu identificar Raimundo Cutrim — delegado aposentado da PF, ex-secretário de Segurança e ex-deputado estadual — como fonte do jornalista.

Nesta terça-feira, Cutrim também foi alvo de busca e apreensão, medida solicitada pela Polícia Federal e com aval da PGR, sob justificativa de suposta perseguição e ameaça à segurança de Dino. Enquanto isso, a denúncia original sobre os veículos oficiais segue sem qualquer apuração pública conhecida.

Não se trata de blindar abusos de jornalistas ou fontes. Se há crime, que se investigue, com provas, contraditório e devido processo. O problema é a inversão de prioridade: o Estado apreende o jornalista, rastreia seus equipamentos, identifica quem lhe forneceu a informação e depois alcança essa pessoa com nova operação — enquanto o fato originalmente denunciado permanece intocado.

Nos Estados Unidos, mesmo sem proteção absoluta à fonte, buscas contra jornalistas esbarram em barreiras legais robustas, como o Privacy Protection Act, e uma controvérsia dessa natureza envolvendo a Suprema Corte provocaria escrutínio público imediato e generalizado.

Aqui, um único ministro relator autoriza medida dentro do próprio tribunal ao qual pertence o colega supostamente protegido pela investigação — e grande parte da imprensa brasileira, com honrosas exceções, mantém silêncio ensurdecedor. A indignação seletiva expõe o problema: parece que a liberdade de imprensa só importa quando a ameaça vem do adversário político preferido.

Liberdade de imprensa não existe para proteger jornalistas apenas dos poderosos de quem gostamos menos. Ou vale contra todos os poderes, inclusive o STF, ou deixa de ser princípio e vira conveniência — e o silêncio de hoje é resposta clara sobre qual das duas prevalece.

Um recado para nossos assinantes: MUITO OBRIGADO! É com a sua ajuda que conseguimos continuar nessa árdua batalha.

Você que ainda não é um assinante, considere essa possibilidade. O valor é muito baixo - apenas R$ 19,90 mensais, que fazem toda a diferença no JCO. Para assinar é muito simples, basta clicar no link: https://assinante.jornaldacidadeonline.com.br/apresentacao

SEU APOIO É MUITO IMPORTANTE! CONTAMOS COM VOCÊ!

da Redação Ler comentários e comentar