Um agente russo no Planalto e os acordos que a esquerda quer esconder
14/08/2026 às 10:44 Internacional
No dia 4 de agosto de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu no Palácio do Planalto Nikolai Patrushev, um dos homens mais próximos e mais temidos de Vladimir Putin. A visita não figurava na agenda oficial da Presidência. Foi a embaixada da Rússia no Brasil quem tornou público o encontro. No mesmo dia, o visitante russo circulou livremente pelo Ministério da Defesa, pelo Itamaraty, pelo comando da Marinha e pelo Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. À noite, Lula e Putin conversaram por telefone. O Kremlin tratou de divulgar a leitura oficial da conversa.
Patrushev não é um diplomata comum. Está sob sanções dos Estados Unidos e da União Europeia desde 2014, listado como nacional especialmente designado por programas ligados à Rússia e à Ucrânia. O inquérito britânico sobre o assassinato de Alexander Litvinenko, concluído em 2016, o menciona de forma direta.
Em 1999, no mesmo dia em que Putin chegou ao cargo de primeiro-ministro, Patrushev assumiu o comando do FSB, a agência sucessora da KGB. Semanas depois, o episódio na cidade russa de Ryazan [quando sacos com material suspeito conectado a um detonador foram encontrados no porão de um prédio residencial] e sua declaração à televisão russa geraram acusações graves que jamais foram julgadas.
A visita ao petista acontece em plena semana de atritos diplomáticos. Javier Milei fez declarações em São Paulo. O Itamaraty chamou o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas. Os Estados Unidos reagiram com tarifas, recusa de vistos e o cancelamento do visto da embaixadora brasileira. Enquanto isso, Lula conversava com Xi Jinping.
A aproximação com Moscou não é nova. Em maio de 2025, Lula esteve na capital russa e firmou acordos com a estatal russa Rosatom para o desenvolvimento de pequenos reatores modulares e cooperação energética ‘pacífica’. Dados da Agência Nacional do Petróleo mostram o peso crescente do diesel russo na matriz energética brasileira.
Enquanto o Brasil se distancia de parceiros históricos e acumula crises diplomáticas, o Planalto abre as portas, longe dos holofotes oficiais, para um dos arquitetos do poder de Putin. A agenda pública preferiu omitir. A embaixada russa preferiu registrar. O que de fato o agente de Putin veio fazer no Brasil? Será que Lula vai botar sigilo de 100 anos nessa visita também?
Essa matéria pertence à Revista A Verdade. Acesse a última edição no link abaixo:
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da Redação