O eterno engodo: Há 22 anos Lula promete a mesma missão que nunca cumpriu
15/08/2026 às 10:19 Opinião
Em 1º de janeiro de 2003, durante seu primeiro discurso de posse, Luiz Inácio Lula da Silva estabeleceu publicamente aquilo que chamou de “a missão de sua vida”:
“Se, ao final do meu mandato, todos os brasileiros tiverem a possibilidade de tomar café da manhã, almoçar e jantar, terei cumprido a missão da minha vida.”
Quase 23 anos depois, em 11 de dezembro de 2025, durante a inauguração de um centro de radioterapia em Itabira, Minas Gerais, Lula repetiu praticamente a mesma promessa:
“Se, ao terminar o meu mandato, cada brasileiro ou brasileira estiver tomando café da manhã, almoçando e jantando, eu já terei cumprido a missão da minha vida.”
Nesse intervalo, Lula concluiu dois mandatos presidenciais, iniciou um terceiro e permaneceu como a principal liderança política do país. Ainda assim, a “missão da vida” continua sendo anunciada como um objetivo para o futuro.
Dados do IBGE relativos a 2024 mostraram que 24,2% dos domicílios brasileiros ainda conviviam com algum grau de insegurança alimentar. Em 4,1% dos lares, a situação era grave, podendo envolver privação efetiva de alimentos.
Portanto, a missão formulada por Lula — garantir café da manhã, almoço e jantar a todos os brasileiros — jamais foi plenamente cumprida.
O problema não está em combater a fome. Essa deve ser uma obrigação permanente de qualquer governo.
O que chama atenção é transformar a mesma obrigação em promessa pessoal durante quase 23 anos, como se todo novo mandato representasse o início de uma história que já deveria ter apresentado seu desfecho.
Quando uma missão atravessa décadas, governos e campanhas, mas continua sendo repetida no futuro, ela deixa de ser apenas um compromisso.
Passa também a ser um instrumento permanente de discurso político.
Jayme Rizolli
Jornalista.