Morre ex-boxeador, vítima de um dos casos mais chocantes da história do esporte
14/08/2026 às 13:25 Internacional
O ex-boxeador porto-riquenho Prichard Colón morreu nesta quinta-feira (13), aos 33 anos, onze anos depois de sofrer graves lesões cerebrais durante uma luta marcada por repetidos golpes ilegais na nuca.
A morte foi confirmada por seu pai, Richard Colón, em uma publicação nas redes sociais.
“Bom dia, minha gente. Lamento informar o falecimento do meu filho, Prichard, deste mundo terreno. Agora ele está em um mundo melhor”, escreveu Richard Colón em sua conta no Facebook.
“Fiz tudo o que estava ao meu alcance para realizar seu desejo, seu sonho de trazê-lo de férias para Porto Rico, como ele tanto queria. Obrigado por tantos anos de amor e orações”, acrescentou.
A luta que provocou as lesões
Em 17 de outubro de 2015, aos 23 anos, Prichard Colón entrou no ringue do EagleBank Arena, em Fairfax, Virgínia, para enfrentar o norte-americano Terrel Williams. Invicto até então, o porto-riquenho acumulava 16 vitórias, sendo 12 por nocaute, e era apontado como uma das principais promessas do boxe latino-americano.
Durante o combate, Williams acertou repetidamente os chamados “golpes de coelho” (rabbit punches), golpes ilegais direcionados à parte posterior da cabeça e à nuca. Colón chegou a reclamar da atuação do árbitro, Joe Cooper, que aplicou apenas uma penalidade de um ponto ao adversário.
No nono assalto, depois de ser derrubado, Colón teve a luta interrompida por sua própria equipe. A decisão foi tomada com o objetivo de evitar que o atleta continuasse sendo exposto aos golpes.
Coma e sequelas permanentes
Pouco depois, ainda no vestiário, Colón apresentou tontura, vômitos e perda de consciência. Exames médicos identificaram um hematoma subdural severo, que provocou lesões cerebrais irreversíveis.
O boxeador foi levado às pressas para o Shepherd Institute, em Atlanta, Geórgia, onde permaneceu em coma durante 221 dias. Depois de recuperar a consciência, as sequelas neurológicas e motoras impediram que ele retomasse sua autonomia.
Colón passou a utilizar cadeira de rodas e necessitar de assistência permanente. Sua mãe, Nieves Meléndez, ficou responsável pelos cuidados do filho durante as 24 horas do dia ao longo dos anos seguintes e manteve uma busca constante por tratamentos e terapias que pudessem proporcionar alguma melhora.
Mudanças no boxe após o caso
O episódio provocou repercussão internacional e ultrapassou os limites do esporte. Um ano depois da luta, o Conselho Mundial de Boxe (CMB) criou a chamada “Regra Prichard Colón”, reforçando a proibição dos golpes na nuca.
A regulamentação ampliou a possibilidade de punição aos atletas que utilizassem esse tipo de golpe, permitindo aos árbitros aplicar penalidades mais severas, descontar pontos ou até determinar a desclassificação imediata. Também foram estabelecidas orientações obrigatórias nos vestiários sobre os riscos associados a impactos na região posterior da cabeça.
Em junho de 2021, o CMB nomeou Colón campeão mundial honorário e entregou à família o tradicional cinturão verde e dourado. O organismo, presidido por Mauricio Sulaimán, também publicou uma homenagem ao ex-lutador:
“Um verdadeiro guerreiro. Prichard demonstrou uma força e valentia que transcenderam o mundo do boxe e inspiraram pessoas de todo o planeta. O espírito lutador de Prichard jamais será esquecido. Descanse em paz, campeão”.
A Organização Mundial de Boxe (OMB) também lamentou a morte e descreveu Colón como “um guerreiro até o fim”.
Carreira e disputa judicial
Nascido em 19 de setembro de 1992, em Maitland, Flórida, Colón sempre manteve forte ligação com Porto Rico. Antes de se tornar profissional, conquistou cinco títulos no boxe amador e ganhou uma medalha de ouro no Campeonato Pan-Americano Juvenil de 2010.
Aos 20 anos, iniciou a carreira profissional e rapidamente construiu uma trajetória de destaque, permanecendo invicto até a luta que mudou sua vida.
Em 2017, os pais do atleta entraram com uma ação judicial superior a US$ 50 milhões contra o médico Richard Ashby e as promotoras HeadBangers Promotions e DiBella Entertainment. A família acusou os envolvidos de negligência médica e de falhas nos protocolos de emergência.
O Departamento de Regulação Profissional da Virgínia, por sua vez, concluiu que Terrel Williams não tinha responsabilidade criminal pelo incidente. A decisão foi duramente contestada pelos familiares de Colón e por integrantes da comunidade do boxe.
A trajetória de Prichard Colón passou a ser lembrada não apenas pelos resultados que alcançou no início da carreira, mas também pelo impacto de seu caso na discussão sobre segurança, fiscalização e prevenção de lesões graves no boxe.
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da Redação