Rede de lojas pede a 2ª recuperação judicial em 3 anos
17/08/2026 às 08:18 Economia
A varejista Amaro entrou com uma nova recuperação extrajudicial, acumulando dívidas de cerca de R$ 410 milhões. Este é o segundo processo de renegociação de passivos da marca de moda em três anos, impulsionado por juros altos, retração de crédito e disputas judiciais com credores financeiros. A empresa já havia recorrido a uma recuperação extrajudicial em março de 2023, quando reportou débitos de R$ 244,6 milhões com bancos e fornecedores.
A Amaro opera uma rede de 20 lojas físicas, conhecidas como Guide Shops. Essas unidades funcionam integradas à plataforma digital e estão distribuídas por shoppings de 11 cidades brasileiras, cobrindo capitais das regiões Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste.
A companhia aponta como motivo para a crise financeira o cenário macroeconômico desfavorável, marcado por taxas de juros elevadas e restrições de crédito ao varejo. O valor da dívida atual é 68% acima do passivo da primeira renegociação, de 2023.
Fundada em 2012, a empresa afirma nos autos que a recuperação anterior não foi suficiente para reequilibrar as contas e diz ver o cenário como "plenamente superável".
A queda foi vertiginosa. O faturamento despencou 90% em dois anos, de R$ 367 milhões em 2022 para R$ 35 milhões em 2024. A empresa atribui o tombo à restrição de crédito, ao encarecimento das dívidas com a alta dos juros, a bloqueios de contas por credores e ao recuo nas vendas. Hoje, diz operar de forma estabilizada, em formato reduzido.
Para piorar, o processo virou uma disputa jurídica. O Banco ABC Brasil alega que o quórum de aprovação do plano teria sido formado artificialmente por fundos ligados a um mesmo núcleo econômico, sob a Reag Trust, liquidada pelo Banco Central em janeiro. Esses veículos detêm o maior crédito entre os aderentes, R$ 81,4 milhões, cerca de 29,4% do passivo, e o banco pediu à Justiça que investigue quem são os beneficiários finais.
E o peso desses fundos é decisivo. Segundo a administradora judicial, com as adesões da Reag, o plano alcança 50,34% de apoio, mal superando o mínimo legal; sem elas, cai para 30,92%, e o quórum não seria atingido. A administradora não viu prova de fraude, mas ressalvou que a "racionalidade econômica" de comprar créditos e aderir a um deságio de até 99% "permanece sem esclarecimento suficiente".
Além disso, há ainda o impasse dos deságios. A administradora acatou uma impugnação que considera abusivas as condições de pagamento, com cortes de 95% a 99% da dívida, carência de dois anos e juros de 1% ao ano, o que configuraria "esvaziamento substancial dos créditos". A Amaro tem prazo para se manifestar, enquanto circulam no mercado rumores de venda ou entrada de um sócio.
Um recado para nossos assinantes: MUITO OBRIGADO! É com a sua ajuda que conseguimos continuar nessa árdua batalha.
Você que ainda não é um assinante, considere essa possibilidade. O valor é muito baixo - apenas R$ 19,90 mensais, que fazem toda a diferença no JCO. Para assinar é muito simples, basta clicar no link: https://assinante.jornaldacidadeonline.com.br/apresentacao
SEU APOIO É MUITO IMPORTANTE! CONTAMOS COM VOCÊ!
da Redação