Terrorismo: Advogado é torturado pelo PCC para desistir de processo contra membro da facção
17/08/2026 às 06:13 Polícia
O advogado Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, foi sequestrado, torturado e ameaçado por integrantes da facção criminosa Primeiro Comando Capital (PCC) no município de Cubatão, em São Paulo, para desistir de uma ação judicial. O caso aconteceu entre os dias 11 e 12 de junho, quando o profissional foi submetido a quatro horas de tortura psicológica no "tribunal do crime".
Rafaell defendia um antigo sócio de um integrante do PCC em São Paulo. Ele ajuizou uma ação contra esse membro do PCC, que teria expulsado seu cliente da sociedade de uma empresa de pesca, sem pagar nenhuma indenização.
O objetivo do grupo era forçar o advogado a abandonar a ação e fornecer o endereço do sócio da empresa que ele representava.
O crime aconteceu no dia 11 de junho. O advogado contou que nunca havia conversado com o faccionado, mas foi ao local após o suspeito entrar em contato solicitando um serviço de advocacia criminal. O objetivo da contratação seria tentar a liberação de outro suposto integrante do PCC que havia sido preso.
O advogado foi mantido em cárcere das 19h à 1h da madrugada seguinte, sofrendo tortura psicológica de cerca de 30 pessoas. O faccionado e outros criminosos participavam da sessão de tortura por videochamada.
Após o ocorrido, Rafaell disse ter entendido que o intuito do grupo não era matá-lo, mas amedrontá-lo para que o integrante do PCC ficasse com a empresa. O advogado foi liberado após prometer desistir da ação, o que fez uma semana depois, durante uma audiência.
Apesar de ter cedido inicialmente, Rafaell procurou o Ministério Público para denunciar o caso. A investigação foi assumida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Apesar do receio de sofrer represálias, o advogado criminalista decidiu tornar o caso público por acreditar que o silêncio fortalece o crime organizado. “Hoje sou eu. Amanhã é você, depois seu filho e depois o filho de outro”, declarou.
Diante disso, foi deflagrada pelo Ministério Público (MP) e pela Polícia Militar (PM) na quarta-feira (12), uma operação que cumpriu mandados em São Paulo e Santa Catarina (SC). William Nascimento Boaventura, apontado como responsável pela emboscada, foi preso. Wagner Rodrigues dos Santos, que teria atuado como "juiz" do tribunal, está foragido. Um terceiro suspeito morreu.
O episódio abalou a saúde mental de Rafaell.
"Eu fiquei quinze dias sem dormir. Eu tenho medo, pânico às vezes. Meu psicológico ficou muito abalado [...] Não sabia que eu ia perder tudo que eu perdi. Perdi a minha paz, a minha liberdade”, afirmou.
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da Redação