Terrorismo: Advogado é torturado pelo PCC para desistir de processo contra membro da facção

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O advogado Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, foi sequestrado, torturado e ameaçado por integrantes da facção criminosa Primeiro Comando Capital (PCC) no município de Cubatão, em São Paulo, para desistir de uma ação judicial. O caso aconteceu entre os dias 11 e 12 de junho, quando o profissional foi submetido a quatro horas de tortura psicológica no "tribunal do crime".⁠

⁠Rafaell defendia um antigo sócio de um integrante do PCC em São Paulo.⁠ Ele ajuizou uma ação contra esse membro do PCC, que teria expulsado seu cliente da sociedade de uma empresa de pesca, sem pagar nenhuma indenização.

O objetivo do grupo era forçar o advogado a abandonar a ação e fornecer o endereço do sócio da empresa que ele representava.

O crime aconteceu no dia 11 de junho. O advogado contou que nunca havia conversado com o faccionado, mas foi ao local após o suspeito entrar em contato solicitando um serviço de advocacia criminal. O objetivo da contratação seria tentar a liberação de outro suposto integrante do PCC que havia sido preso.

O advogado foi mantido em cárcere das 19h à 1h da madrugada seguinte, sofrendo tortura psicológica de cerca de 30 pessoas. O faccionado e outros criminosos participavam da sessão de tortura por videochamada.

Após o ocorrido, Rafaell disse ter entendido que o intuito do grupo não era matá-lo, mas amedrontá-lo para que o integrante do PCC ficasse com a empresa. O advogado foi liberado após prometer desistir da ação, o que fez uma semana depois, durante uma audiência.

Apesar de ter cedido inicialmente, Rafaell procurou o Ministério Público para denunciar o caso. A investigação foi assumida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Apesar do receio de sofrer represálias, o advogado criminalista decidiu tornar o caso público por acreditar que o silêncio fortalece o crime organizado. “Hoje sou eu. Amanhã é você, depois seu filho e depois o filho de outro”, declarou.

Diante disso, foi deflagrada pelo Ministério Público (MP) e pela Polícia Militar (PM) na quarta-feira (12), uma operação que cumpriu mandados em São Paulo e Santa Catarina (SC). William Nascimento Boaventura, apontado como responsável pela emboscada, foi preso. Wagner Rodrigues dos Santos, que teria atuado como "juiz" do tribunal, está foragido. Um terceiro suspeito morreu.

O episódio abalou a saúde mental de Rafaell.

"Eu fiquei quinze dias sem dormir. Eu tenho medo, pânico às vezes. Meu psicológico ficou muito abalado [...] Não sabia que eu ia perder tudo que eu perdi. Perdi a minha paz, a minha liberdade”, afirmou.

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