AO VIVO: Marçal sacode a corrida presidencial (veja o vídeo)
18/08/2026 às 09:41 Política
Pablo Marçal está de volta ao centro do jogo eleitoral. Desta vez, mirando o Palácio do Planalto.
O empresário e influenciador foi registrado pelo PRTB como candidato à Presidência da República, embora sua situação jurídica represente um enorme obstáculo: Marçal está inelegível em razão de condenações na Justiça Eleitoral relacionadas à campanha de 2024. O registro ainda terá de passar pelo crivo do Tribunal Superior Eleitoral. (Folha de S.Paulo)
Isso, porém, não significa que sua entrada seja irrelevante.
Marçal já demonstrou em 2024 que não precisa necessariamente vencer uma eleição para interferir profundamente nela.
Na disputa pela Prefeitura de São Paulo, transformou os debates em verdadeiros espetáculos políticos. Provocava adversários, distribuía apelidos, produzia frases pensadas para viralizar e explorava como poucos a lógica das redes sociais.
José Luiz Datena virou “Dá Pena”. Guilherme Boulos foi alvo de sucessivas provocações. E o confronto com Datena terminou em uma das cenas mais marcantes daquela eleição: depois de ser provocado por Marçal durante um debate da TV Cultura, o apresentador atingiu o adversário com uma cadeira. (UOL Notícias)
O episódio simbolizou bem o estilo Marçal: confronto, provocação e enorme capacidade de transformar uma disputa política em conteúdo para as redes.
Agora, esse personagem entra numa eleição presidencial.
Mesmo que sua candidatura venha a ser barrada pelo TSE, existe uma janela em que Marçal pode fazer campanha enquanto seu registro estiver sob análise. Isso significa exposição, entrevistas, redes sociais e, dependendo das regras dos organizadores, participação em debates. (Folha de S.Paulo)
E aí está o ponto realmente importante.
A pergunta talvez não seja se Pablo Marçal tem condições jurídicas ou eleitorais de chegar ao Palácio do Planalto.
A pergunta é: de quem ele pode tirar votos e quem será obrigado a mudar de estratégia por causa dele?
Marçal conhece a linguagem das redes, sabe produzir conflito e disputa diretamente um eleitorado que também é cortejado por candidaturas identificadas com a direita.
Em 2024, ele entrou na eleição paulistana como um elemento imprevisível e terminou obrigando adversários a reagirem à sua agenda.
Em 2026, mesmo inelegível, pode tentar fazer exatamente a mesma coisa em escala nacional.
Pablo Marçal talvez não consiga chegar até o fim da corrida presidencial.
Mas já conseguiu entrar na pista.
E isso, por si só, é suficiente para sacudir o tabuleiro eleitoral.
Emílio Kerber Filho
Escritor e Estrategista Político. Criador do método Arquitetura Eleitoral:
https://emiliokerber.com.br/
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