A bomba-relógio diplomática e o teatro da soberania

Ler na área do assinante

Fronteiras abertas, Exército sucateado e sanções à vista: o alto preço da hostilidade do governo Lula contra os EUA, e o caminho da direita para tirar o país do abismo

A relação de mais de dois séculos entre Brasil e Estados Unidos vive sua pior crise em décadas. Em nome de uma soberania que nosso país, na prática, não exerce com a mesma força que proclama, Lula parece ter partido para o tudo ou nada, colocando em risco uma parceria histórica que sempre foi estratégica para o Brasil. Uma verdadeira bomba diplomática parece prestes a explodir...

O que começou com um encontro de “química excelente” na ONU se transformou em escalada de atritos, tarifas e provocações. Lula criticou Donald Trump ao menos 35 vezes desde o primeiro contato. Em discursos públicos, o petista acusou o americano de querer “governar o mundo por rede social” e de se comportar como imperador.

https://www.cnnbrasil.com.br/politica/lula-criticou-trump-ao-menos-35-vezes-desde-quimica-durante-cupula-da-onu/

https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/no-g7-lula-diz-que-trump-age-como-imperador-e-fala-muito-e-ouve-pouco/

Os Estados Unidos negociaram tarifas com diversos países e cerca de 70 aceitaram rever as taxas. O governo Lula agiu na contramão, e o resultado veio em forma de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Marco Rubio, secretário de Estado americano, foi direto: Lula priorizou o próprio ego e não negociou de boa-fé.

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/07/16/rubio-acusa-lula-de-nao-negociar-tarifas.ghtml https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/70-paises-ja-pediram-para-negociar-tarifas-com-os-eua-diz-casa-branca/

O Brasil respondeu acionando a Lei de Reciprocidade, numa tentativa de mostrar força. Mas a medida não esconde a incapacidade de evitar o prejuízo comercial.

Ao mesmo tempo, Lula anunciou que só dará o aval ao novo embaixador americano depois das eleições de outubro. Uma decisão que prolonga o vazio diplomático e eleva ainda mais a temperatura.

https://www.poder360.com.br/poder-governo/lula-diz-que-so-dara-aval-a-embaixador-dos-eua-depois-das-eleicoes/

Para o analista político José Carlos Sepúlveda, a tensão diplomática entre o Brasil e os Estados Unidos atingiu o seu ápice, impulsionada por uma intenção explícita do presidente Lula e de seu assessor especial para relações internacionais, Celso Amorim, de criar e alimentar um confronto deliberado com os norte-americanos.

“Essa postura se evidencia nas atitudes contraditórias da diplomacia brasileira. Enquanto o governo demonstra hostilidade contra os Estados Unidos ao suspender os vistos de dois funcionários do Departamento de Estado em visita diplomática de rotina e ao ameaçar publicamente não conceder o agrément (consentimento formal) ao embaixador americano, a postura em relação à Rússia é de forte aproximação. O governo Lula recebeu um assessor pessoal de Vladimir Putin, Nikolai Patrushev, ex-chefe da inteligência russa (FSB) — e sancionado pelos EUA sob a acusação de eliminar adversários políticos —, que teria vindo ao país fazer pedidos perigosos para que o Brasil se engaje em atividades que favorecem indiretamente a invasão russa na Ucrânia”, ressaltou, em entrevista exclusiva à Verdade.

No contexto geopolítico, Sepúlveda avalia que a política conduzida por Lula e Amorim transforma o Brasil em uma espécie de "aríete" para atingir os EUA, atendendo, na prática, aos interesses da China e da Rússia.

“Não é segredo que os Estados Unidos buscam afastar a influência dessas potências da América Latina, e prevendo uma possível e breve queda do regime cubano, chineses e russos passaram a usar o Brasil — valendo-se de sua dimensão geográfica e de seu peso econômico — como a principal base para fazer frente à política americana no continente. Essa estratégia gera grandes dificuldades diplomáticas e altos prejuízos para o povo brasileiro, colocando o país a serviço de nações como China, Rússia e Irã, utilizando a defesa da ‘soberania’ apenas como uma justificativa retórica para encobrir esses interesses.”

A escolha do governo petista de se aproximar de regimes autoritários, como o Irã e a China, enquanto se afasta das democracias ocidentais não passa despercebida em Washington. Há, nos bastidores brasileiros, um medo silencioso. O destino de Nicolás Maduro — capturado e preso nos Estados Unidos depois de destruir a Venezuela — assombra o Palácio do Planalto.

Lula consultou o ministro da Defesa, José Múcio, sobre a possibilidade de uma ação americana em território brasileiro, e não gostou nada da resposta.

“Me perguntaram se os Estados Unidos quisessem invadir o Brasil, o que é que eu faria. Temos que abrir o portão. O Brasil não tem equipamento para enfrentá-los, nem tem dinheiro para consertar o portão”, afirmou.

https://www.infomoney.com.br/politica/fala-de-mucio-sobre-abrir-portao-aos-eua-incomodou-lula/

A resposta descontraída de Múcio foi vista como inadequada por membros do Palácio do Planalto, segundo fontes ouvidas pela CNN. Para eles, o contexto diplomático sensível entre Brasil e EUA ampliou a má impressão sobre a declaração.

https://www.infomoney.com.br/politica/fala-de-mucio-sobre-abrir-portao-aos-eua-incomodou-lula/

A fala do ministro da Defesa também contraria o mote de soberania, adotado pelo governo brasileiro diante dos EUA...

A frase expõe uma realidade dura. As Forças Armadas brasileiras foram enfraquecidas nos últimos anos. Preocupado, e não é para menos, Lula afirmou que pretende dar mais atenção à área de Defesa em um eventual quarto mandato, mas, na prática, investiu 11% a menos no setor do que seu antecessor, Jair Bolsonaro. Dados do sistema Siga Brasil mostram que entre 2023 e 2026, Lula reservou R$ 40,7 bilhões especificamente para investimentos nas Forças Armadas, frente a R$ 45,7 bilhões usados para investimentos nos quatro anos (2019 a 2022) do governo anterior. Os dados dizem respeito ao total de recursos destinados a melhorias para Exército, Marinha e Aeronáutica.

https://oglobo.globo.com/politica/eleicoes-2026/noticia/2026/08/04/promessa-de-lula-ao-lancar-campanha-investimentos-na-defesa-cairam-11percent-em-relacao-ao-governo-anterior.ghtml

Investimentos caíram, projetos estratégicos pararam e as fronteiras permaneceram vulneráveis. Organizações criminosas como o PCC e o Comando Vermelho aproveitam o vácuo. Enquanto o discurso oficial fala em soberania, o país se mostra incapaz de defender o próprio território com dignidade.

Exército americano em ação

Para o analista internacional Cezar Roedel, o cenário mais provável ainda é de escalada política, econômica e diplomática, e não de uma ação militar direta dos Estados Unidos contra o Brasil, por enquanto.

“O Brasil já entrou numa zona de atrito bastante séria, talvez única na história em 200 anos de relações com os Estados Unidos. As tarifas americanas já pressionam setores da economia, o governo Lula acionou a Lei da Reciprocidade e, ao mesmo tempo, a relação passou a ser contaminada pela disputa política interna brasileira. Lula trocou os interesses nacionais pelos pessoais, gerando uma tragédia”, ressaltou o analista.

O problema, de acordo com Roedel, é que, quando se mistura comércio, soberania, eleições e acusações de interferência externa, fica muito mais difícil prever até onde cada lado está disposto a ir.

“Eu não descartaria novas sanções, restrições diplomáticas, pressão sobre empresas brasileiras e uma ofensiva política mais dura de Washington. Agora, falar em invasão ou captura de Lula, neste momento, me parece um salto grande demais: não há evidência de movimentação militar americana no Brasil, e inclusive circularam recentemente vídeos falsos sobre supostos desembarques de tropas”, explicou.

Segundo o analista, o mais preocupante é uma espécie de guerra de desgaste:

“Tarifas, retaliações, pressão sobre o crime organizado, cooperação de inteligência e isolamento diplomático. E aí o governo brasileiro vai ter de tomar cuidado, porque uma coisa é defender autonomia e outra é transformar essa autonomia numa ruptura com um aliado tradicional e estratégico sem ter uma alternativa pronta. Então, eu esperaria muita pressão, muita negociação de bastidor e bastante turbulência antes de qualquer cenário essencialmente militar”, frisou.

E os Estados Unidos não estão de olho apenas em Lula... O governo americano considera adotar novas sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, publicou recentemente o jornal britânico Financial Times.

A discussão teria voltado à baila em meio à deterioração das relações diplomáticas com os norte-americanos e à operação da Polícia Federal, mirando as fontes de um jornalista que publicou reportagens sobre o ministro Flávio Dino. Para integrantes da administração de Donald Trump, o ministro teria infringido o direito de liberdade de expressão.

https://veja.abril.com.br/politica/eua-consideram-impor-lei-magnitsky-contra-alexandre-de-moraes-de-novo-diz-jornal/

Moraes afirmou que as informações utilizadas na reportagem teriam sido obtidas e divulgadas ilegalmente e poderiam colocar em risco a segurança do magistrado e de seus familiares. Gilmar Mendes apoiou o magistrado, enquanto Fachin defendeu o sigilo da fonte.

Washington considera que há um "histórico" contra Moraes. Uma fonte ouvida pelo jornal afirmou que existem "muitos fatores" e um "padrão consistente de abusos" que, na avaliação do governo americano, inclui o episódio mais recente envolvendo o jornalista.

As sanções poderiam atingir patrimônio e negócios. A aplicação da Lei Magnitsky pode congelar ativos mantidos nos Estados Unidos e proibir empresas e cidadãos americanos de realizar negócios com as pessoas ou entidades atingidas. E pode ser que, dessa vez, os bancos brasileiros tenham uma postura diferente e sejam ‘obrigados’ a aplicar a lei. Em 2025, Moraes teria se reunido com Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, e com dirigentes de outros bancos no intuito de manter sua movimentação bancária.

https://www.migalhas.com.br/quentes/446933/moraes-diz-que-encontro-com-banqueiros-foi-para-tratar-da-magnitsky

A crise atual não é apenas comercial ou diplomática. É o reflexo de uma política externa ideológica que prefere o confronto à negociação. Lula transformou a relação com a maior potência do planeta em campo de batalha eleitoral.

O preço dessa aventura será pago pelos brasileiros: menos exportações, menos investimentos e mais isolamento. Uma nação que depende do agronegócio e do comércio exterior não pode se dar ao luxo de desafiar quem compra seus produtos. Outros países da região entenderam isso e negociaram. O Brasil, sob o comando petista, preferiu o teatro da soberania.

O resultado está à vista de todos: tarifas, retaliações e uma diplomacia em frangalhos. Múcio disse a verdade que o Planalto não quer ouvir.

Sem capacidade militar real, sem diplomacia eficaz e com fronteiras abertas, a soberania vira apenas discurso de comício. A história de Maduro serve de alerta.

O Brasil ainda tem tempo de corrigir o rumo. Mas, com o atual governo, a direção parece ser exatamente a oposta. Nesse cenário quase dramático, a eleição de outubro se configura como uma das mais importantes da história recente do Brasil, com a vitória da esquerda e a queda para o abismo, ou com a volta da direita ao poder e a esperança de botar o país nos trilhos de novo, como aponta o deputado federal José Medeiros (PL-MT):

“Barata sabida não atravessa galinheiro, parece que as do Planalto não são. Lula provoca desde antes de Trump tomar posse, queria polarizar para jogar para o público interno. A meu ver, ele perdeu a mão e o gigante levou a sério. Só Flávio Bolsonaro pode nos livrar de uma retaliação pesada”, afirma o deputado.
da Redação
Ler comentários e comentar
Ler comentários e comentar

Nossas redes sociais

Facebook

Siga nossa página

Seguir página

Twitter

Siga-nos no Twitter

Seguir

YouTube

Inscreva-se no nosso canal

Inscrever-se

Instagram

Siga-nos no Instagram

Seguir

Telegram

Receba as notícias do dia no Telegram

Entrar no canal

Rumble

Inscreva-se no nosso canal

Inscrever-se

Gettr

Siga-nos no Gettr

Seguir

Truth

Siga-nos no Truth

Seguir