
O futuro na Suíça de Lulinha e Roberta Luchsinger

20/08/2026 às 13:59 Opinião

Siga o Jornal da Cidade Online no Google
Acompanhe as principais notícias do momento direto nos resultados de busca.
A Polícia Federal tem em mãos mensagens que mostram Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atuando de forma direta e ativa em negócios e articulações de lobby ao lado da empresária Roberta Luchsinger, investigada por tráfico de influência. Os diálogos, divulgados com exclusividade nesta segunda-feira (17) pelo Metrópoles e confirmados por CNN Brasil O Globo e JCO, revelam que Lulinha não era apenas amigo da lobista: ele comentava, coordenava e participava de reuniões no núcleo duro do governo, orientava a emissão de notas fiscais e tratava explicitamente de oportunidades junto a autoridades federais.
Em conversa de 22 de março de 2024, Roberta diz a Lulinha que os dois operam em “nível diferenciado” e afirma: “Nosso futuro é Suíça”. O filho do presidente responde afirmativamente e revela, de imediato, que já participa de encontros reservados com Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola), então chefe de gabinete de Lula, e Swedenberger Barbosa (Berger), secretário-executivo do Ministério da Saúde. Berger é o mesmo que abriu portas da pasta para o Careca do INSS, que tentava emplacar contrato milionário de cannabis medicinal no SUS — exatamente o tipo de negócio que a dupla acompanhava de perto.
As mensagens deixam claro o protagonismo de Lulinha: em julho de 2023 ele ordena à lobista “Emite a NF pro Cleber” (empresário alvo da PF que pagou ao menos R$ 150 mil à empresa dela), comemora quando ela confirma e, em outra troca, questiona se Roberta já havia desmentido o uso indevido de seu nome por Fernando Bittar em tentativa de “negócio gigante” na Telebras. Enquanto isso, Roberta recebia R$ 1,5 milhão do Careca do INSS; em uma das transferências o empresário disse que o dinheiro ia para o “filho do rapaz” — referência que a PF aponta como possível menção a Lulinha.
Nesta terça-feira (18), o impacto das revelações já se faz sentir nos bastidores da campanha de reeleição de Lula: auxiliares próximos classificam os diálogos como “fatos gravíssimos” e alertam para o risco de desastre político. A defesa de Lulinha questiona a autenticidade das mensagens, denuncia vazamento seletivo e “instrumentalização por interesses eleitorais”, e afirma que só se posicionará após ter acesso integral aos autos.
Carlos Arouck
Policial federal. É formado em Direito e Administração de Empresas.











