
Mansão onde Lulinha e a lobista do Careca do INSS faziam “negócios” é localizada

19/08/2026 às 14:53 Denúncias

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Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger utilizavam uma casa no Lago Sul, região nobre de Brasília, para fazer reuniões de “negócios”. O imóvel era alugado por Luchsinger. Tanto ela, quanto Lulinha, faziam reuniões no local.
Uma matéria publicada em O Globo revela detalhes sobre o “antro” da dupla. Confira alguns trechos selecionados pelo JCO:
As reuniões foram relatadas por três pessoas que trabalharam no imóvel durante o período em que ele era utilizado pelos dois. Uma delas é a empregada doméstica Zildeni Souza, que acompanhou a rotina na casa durante sete meses, entre 2024 e 2025.
“Não era (casa) de morar. Era uma casa alugada, que quem fica mais tempo eram os funcionários. Era realmente uma casa de reunião. Geralmente, às 9h, vinha uma ou duas pessoas. Eu não ouvia as conversas, só servia café e era isso. Minha função era de doméstica. Não tinha envolvimento”.
Ela afirmou que era responsável por relatar a Luchsinger o que ocorria no imóvel quando a empresária estava fora de Brasília. De acordo com o relato de Zildeni, Luchsinger e Lulinha frequentavam o imóvel ao menos duas vezes por mês. Em algumas ocasiões, segundo a empregada doméstica, o filho do presidente aparecia sozinho, e a empresária a avisava que “o seu Fábio está indo”, conforme áudio incluído em um processo trabalhista que a funcionária apresentou contra Luchsinger após sua demissão.
“Às vezes ela (Roberta) me dizia: ‘Olha, o Fábio está indo’. Inclusive, a Renata (esposa de Lulinha) falou para eu cuidar do Fábio — disse a empregada. — (Ele) Ficava sentado na beira da piscina fumando o cigarrinho dele. Ficava dois dias e ia embora. Vinha sempre segunda-feira, quarta...” — descreveu ela.
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A casa, localizada em um condomínio fechado, com acesso apenas a pessoas autorizadas, possui características de alto padrão. Com uma área de 2.110 metros quadrados, o imóvel tem três quartos, piscina, jardim, churrasqueira e um cômodo para escritório onde ocorriam os encontros. O aluguel na região custa, em média, R$ 240 mil ao ano, conforme informações de imobiliárias.
De acordo com registros em cartório, o imóvel no Lago Sul pertence a um empresário que atua na área de mineração de calcário e mora fora do país. A residência em Brasília foi alugada por Roberta em 2024. Segundo funcionários do local, Lulinha e a amiga estão há sete meses sem aparecer na residência. Eles evitaram frequentar o imóvel após virem à tona as investigações que apontaram o envolvimento de Luchsinger com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o ‘Careca do INSS’, pivô dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
Roberta publicou em uma rede social uma foto na casa do Lago Sul em 18 de dezembro do ano passado, mesmo dia em que foi alvo de operação da PF. Na ocasião, agentes cumpriram mandados de buscas e apreensões em seu endereço em São Paulo, mas não em Brasília. ‘Aos mentirosos, apenas a justiça’, escreveu.
Uma das pessoas que visitaram a casa, segundo a ex-funcionária de Luchsinger, foi Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula. Ela disse se recordar da imagem dele em uma reunião ocorrida no imóvel.
A relação entre Marcola, Lulinha e Roberta é citada em um dos inquéritos da Polícia Federal abertos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em mensagem enviada ao filho do presidente, Roberta cita um incômodo de Marcola com "Fernando", que, de acordo com as investigações, é Fernando Bittar, ex-sócio do filho do presidente. "Marcola não quer. Ele tá incomodado. Falou para gente almoçar com Berger e ele sem Fefe. Porque ele não quer mesmo”, escreve Roberta, ao que Lulinha responde: “Isso…. Ja é o terceiro almoço que eu tenho com ele e ele pede pra ser só entre nós."
Em outra mensagem encontrada pela PF, Marcola recebeu um modelo de contrato para venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, com dispensa de licitação. O documento foi enviado por Roberta, que tentava intermediar um negócio com a pasta, o que não ocorreu, em meio à eclosão do escândalo dos descontos indevidos no INSS. Marcola confirmou a interlocutores que recebeu o material, mas disse que não o encaminhou.
A PF também descobriu que Roberta comprou duas joias que Marcola pediu para presentear familiares no Dia das Mães de 2024. A investigação aponta que o ex-assessor enviou por WhatsApp a foto do modelo das peças, e Roberta pagou a fatura de R$ 9,2 mil. Ao longo de 2024, segundo o colunista, a empresária transferiu a ele um total de R$ 217 mil entre transferências bancárias, pagamentos de boletos e presentes.
Outros diálogos interceptados pela PF mostram que Lulinha e Roberta discutiam negócios em conjunto. Em uma das conversas, em 22 de março de 2024, a empresária diz a Lulinha: “Nosso nível tá outro. Nosso futuro é Suíça. Poucos negócio é bom (sic). Esse povo aqui tá em outra vibe”. O filho do presidente respondeu em seguida: “Isso. Deixa eles. Trabalho para caralho e nunca dá em nada”.
Além das reuniões na casa do Lago Sul, Luchsinger costumava cumprir agendas em ministérios e órgãos públicos, representando empresas que tinham interesse em fechar contratos públicos, quando estava em Brasília. Há registros de oito agendas no Palácio do Planalto e pelo menos 32 visitas em gabinetes dos ministérios da Saúde, do Desenvolvimento Social e no BNDES, entre outros locais, no período de 2023 a 2025.
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