A tentativa desesperada de Paulo Gonet em proteger o clã petista

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A Procuradoria-Geral da República apresentou parecer para que a investigação sobre tráfico de influência envolvendo Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger saia do gabinete de André Mendonça no STF, sob o argumento de que não há investigado com foro privilegiado. Lulinha responde a três inquéritos na Corte — dois sob relatoria de Mendonça, um de Flávio Dino —, originados nas quebras de sigilo da Operação Sem Desconto, que apura o esquema bilionário de descontos indevidos no INSS.

Apurações da PF mostram que Luchsinger dizia a interlocutores que falava em nome de Lulinha e buscava remuneração de 20% caso o negócio de cannabis medicinal com o Ministério da Saúde — avaliado em mais de R$ 600 milhões — fosse fechado.

A lobista teria feito ao menos 40 visitas a ministérios e à Presidência, e as mensagens já revelaram o envio de minuta de contrato ao ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

Ou seja, o caso já adentrou o gabinete do presidente da República.

Portanto, a atitude do PGR é simplesmente ridícula. Uma tentativa absurda de proteger o clã lulista, envolvido até o pescoço em falcatruas e distribuição de propina.

Este não é o primeiro movimento nessa direção. Há cerca de três semanas, uma ala do próprio STF já avaliava, em conversas reservadas, que Moraes, PF e PGR haviam arquitetado uma manobra para tirar a relatoria de Mendonça — esperando Moraes assumir a presidência da Corte para direcionar o pedido de distribuição e driblar o presidente Fachin, que dá respaldo integral a Mendonça nos inquéritos do INSS e do Banco Master. Mendonça já colecionava atritos com a cúpula da PGR desde março, quando criticou publicamente a falta de urgência do órgão numa operação contra o banqueiro Daniel Vorcaro.

Se a ausência de foro privilegiado fosse critério técnico aplicado com isonomia, por que a PGR não pede o mesmo deslocamento em investigações que miram a oposição?

O ex-presidente Jair Bolsonaro também não tinha foro privilegiado.

Esse é o moralismo seletivo que blinda aliados e pressiona adversários. É a erosão institucional que corrói a credibilidade da Justiça brasileira.

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