
Liga dos Camponeses Pobres toca o terror em Rondônia com extrema violência

21/08/2026 às 21:57 Opinião

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A definição de TERRORISMO, segundo o artigo 2º da Lei 13.260/2016, comete o crime quem “praticar atos visando causar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública”. A pena prevista é de 12 a 30 anos de reclusão, podendo ser majorada caso haja mortes, lesões ou destruição de bens públicos. Essa lei parece não valer em Rondônia, onde um grupo análogo a um grupo terrorista, o LCP (Liga Camponesa Pobre), atua aparentemente sem resistência das forças do estado.
Desde 2020, eles invadiram a fazenda Nor-Brasil, uma propriedade com 7.000 hectares, dos quais quatro mil já são produtivos. Até porque, no estado, o produtor tem que preservar ao menos 35% da propriedade para mata nativa. Essa gangue conhecida como LCP desfila com rifles 762 e .30, espingardas calibre 12, coletes balísticos. E até agora, ao menos 3 policiais e um civil foram mortos em emboscadas. Essas ações são muito mais típicas de um grupo paramilitar do que um bando de agricultores sem-terra. Aliás, esse clima de guerra civil não parece incomodar muito o governador Marcos Rocha (PSD), ele próprio um ex-militar.

Em qualquer estado do Brasil, quando um policial é assassinado por contraventores, a resposta é imediata, custe o que custar. Em Rondônia, essa regra não se aplica. Em 3 de outubro de 2020, o tenente José Figueiredo Sobrinho, da Polícia Militar de Rondônia, foi emboscado e morto nas proximidades da fazenda enquanto pescava com amigos num dos rios que cortam a propriedade. No dia seguinte, durante operação de busca pelos responsáveis, o Sargento Márcio Rodrigues da Silva também foi morto, e três policiais ficaram feridos. Em outubro de 2021, dois suspeitos de integrarem uma quadrilha de invasores de terras, Gedeon José Duque e Rafael Gasparini Tedesco, morreram, após trocarem tiros com policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (BOPE).
ASSASSINATOS, EMBOSCADAS E IMPUNIDADE
Em 26 de novembro de 2025, o sobrinho de um dos proprietários Leme Empreendimentos sobreviveu a uma emboscada com mais de 100 tiros de fuzil 7,62 contra sua caminhonete blindada. Um projétil perfurou a blindagem e atingiu seu pé; ele se escondeu na mata por toda a noite até ser resgatado pela polícia. Em 14 de abril de 2026, um policial civil aposentado foi morto em novo ataque à sede da propriedade, com quatro trabalhadores desaparecidos após fugirem para a mata. Além dos policiais civis e militares, o ex-gerente Sécimo Mineiro dos Santos, 62, foi morto com mais de 30 tiros em 2022. Um homicídio precisa de quantos projéteis para chamar a atenção do governador? Porque parece que até uma centena é pouco.

O próprio INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) apontam que o número de ocupações e invasões de propriedades rurais cresceu expressivamente no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em comparação aos anos anteriores da gestão passada. Logo no primeiro ano do atual governo (2023), o volume de ocorrências superou o total registrado em anos inteiros do mandato anterior, impulsionado por pressões de movimentos sociais por reforma agrária. Em apenas 3 meses do primeiro ano do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as invasões de terras já haviam superado todos os registros de 2019, primeiro ano do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em 2024, dezenas de propriedades foram invadidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em 11 estados diferentes durante o chamado Abril Vermelho. Poucos governadores enfrentaram de frente esse problema, mas ainda temos homens públicos corajosos como Jorginho Mello em Santa Catarina, Tarcísio de Freitas em SP e Ronaldo Caiado em Goiás – não por coincidência, todos com altíssimo índice de aprovação dentro dos seus estados. Os outros 24 governadores só desviam o foco e rezam para que nada de pior aconteça.
Em 30 de outubro de 2021, a Polícia Militar realizou a Operação Nova Mutum, que tinha como objetivo cumprir mandados de reintegração e manutenção de posse, expedidos pela justiça. A operação de retirada durou duas semanas, iniciou no dia 16 de outubro deste ano, com a atuação de 400 policiais militares e 47 policiais da Força Nacional. Médicos da PM, assistentes sociais da capital e militares do Corpo de Bombeiros também prestaram apoio nas ações. De acordo com a PM, todas as 300 famílias foram retiradas daquela região que havia sido invadida há quase quatro anos.
Para realizar esse trabalho colossal de reintegração, a Polícia Militar gastou mais de R$ 1 milhão em diárias com a tropa de policiais que atuaram na operação. Foram empenhados, ainda, R$ 535 mil em combustível com as aeronaves. No total, 80 viaturas da PM foram usadas na operação. Durante o cumprimento das cautelares, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a suspensão da reintegração em duas fazendas, que foi acatada pela Polícia Militar. E os invasores da LCP retornaram para a fazenda Nor-Brasil por causa da liminar.
Por fim, a invasão dura seis anos, o governo federal e o judiciário não autorizam a retirada dos invasores e nem desapropria a área, o que ao menos indenizaria os proprietários – nesse limbo jurídico, a violência floresce e as mortes se sucedem.
Eduardo Negrão
Consultor político e autor de "Terrorismo Global" e "México pecado ao sul do Rio Grande" ambos pela Scortecci Editora.











