Atrás das grades, Adélio toma decisão inesperada em avaliação mental

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Adélio Bispo, responsável pela facada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), recusou-se a responder às perguntas feitas por uma equipe multiprofissional durante uma nova avaliação de seu estado de saúde mental. O procedimento ocorreu em 11 de junho, na Penitenciária Federal de Campo Grande.

Segundo relatos de pessoas a par da avaliação, Adélio aceitou receber os profissionais na unidade prisional. No entanto, quando os questionamentos começaram, permaneceu em silêncio e não respondeu às perguntas apresentadas pela equipe.

Durante o encontro, Adélio teria demonstrado agitação. Apesar da ausência de respostas, os integrantes da equipe fizeram registros e avaliações sobre o comportamento e o quadro apresentado pelo detento.

Uma das psicólogas apontou em suas anotações a possibilidade de psicose afetiva, condição que pode envolver alterações no contato com a realidade, delírios e alucinações. Um enfermeiro e outra psicóloga classificaram o quadro como esquizofrenia e outras psicoses orgânicas.

Uma assistente social que participou da avaliação também registrou esquizofrenia e descreveu um comportamento que, segundo ela, não havia sido identificado em registros anteriores.

Adélio possui diagnóstico de esquizofrenia paranoide e, diante da evolução de seu estado mental, existe a necessidade de atualização da avaliação biopsicossocial. O procedimento busca identificar eventuais necessidades de tratamento e atualizar o Projeto Terapêutico Singular, plano individual utilizado para orientar o acompanhamento do paciente.

O diagnóstico atribuído a Adélio sofreu alterações ao longo dos anos. Após o ataque contra Bolsonaro, ele havia sido inicialmente diagnosticado com transtorno delirante persistente do tipo paranoide. Posteriormente, avaliações apontaram deterioração de seu quadro.

Segundo informações reunidas por profissionais responsáveis por um parecer elaborado no início deste ano, Adélio apresentaria grave comprometimento do contato com a realidade, além de alucinações durante grande parte do tempo e prejuízo funcional significativo.

O laudo também aponta que o detento não reconhece a própria condição de saúde e não compreenderia a necessidade de tratamento. Os peritos identificaram ainda um comprometimento significativo da capacidade de avaliação da realidade.

Adélio foi considerado inimputável pela Justiça em razão da facada contra Bolsonaro. Por esse motivo, ele não cumpre uma pena de prisão convencional, mas uma medida de segurança.

Atualmente, não existe previsão de que Adélio seja colocado em liberdade. A atualização de sua avaliação mental tem como objetivo verificar a evolução do quadro e as necessidades de acompanhamento e tratamento durante o cumprimento da medida de segurança.

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