Vaza reação dentro do Planalto após a ligação entre Lula e Trump
23/08/2026 às 17:23 Política
O governo do petista Lula avalia que a retomada do diálogo com os Estados Unidos abriu uma possibilidade de renegociação das tarifas impostas a produtos brasileiros após as eleições presidenciais deste ano. A avaliação surgiu depois da conversa telefônica entre Lula e Donald Trump na sexta-feira (21/8).
Segundo informações de dentro do Planalto após a ligação, Trump concordou com a retomada das negociações comerciais entre os dois países. O contato foi solicitado por Lula, que buscou obter do presidente norte-americano sinal verde para que as tratativas sobre as tarifas fossem reabertas.
“O presidente Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível”, informou o comunicado.
Pouco depois da conversa entre os presidentes, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, entrou em contato com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Os dois acertaram a realização de uma reunião por videoconferência na próxima semana para discutir o chamado tarifaço.
As negociações estavam paralisadas desde o mês passado, quando duas investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) resultaram na aplicação de tarifas adicionais de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros afetados pelas duas medidas. Nesse caso, a carga tarifária pode chegar a 37,5%.
A taxa de 12,5% foi aplicada ao Brasil e a outras 59 economias sob a alegação de que esses países não combatem adequadamente o trabalho forçado em determinadas cadeias produtivas. Já a sobretaxa de 25% é específica para o Brasil e está relacionada a supostas práticas comerciais desleais atribuídas ao governo brasileiro.
A imposição das tarifas elevou a tensão nas relações entre Brasília e Washington. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que a medida ocorreu porque Lula “não negociou de boa-fé” com autoridades dos Estados Unidos.
O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, reagiu às declarações e afirmou que Rubio atacou Lula de forma “grosseira e arrogante”.
O governo brasileiro sustenta que a decisão norte-americana possui motivação essencialmente política, argumentando também que os Estados Unidos mantêm superávit econômico nas relações comerciais com o Brasil.
Mudanças devem demorar
Apesar da reabertura das negociações, auxiliares de Lula não esperam alterações relevantes nas tarifas no curto prazo. A proximidade das eleições presidenciais brasileiras é apontada como um dos fatores que podem levar o governo norte-americano a adotar cautela antes de modificar sua política comercial.
A avaliação dentro do governo é que o cenário poderá mudar dependendo do resultado das urnas. Caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito, interlocutores avaliam que Trump poderá interpretar a vitória como um fortalecimento de sua estratégia política na América Latina.
Em contrapartida, uma eventual reeleição de Lula, segundo a avaliação de integrantes do governo, deixaria aberto um canal para a retomada das negociações sobre as tarifas.
A expectativa, portanto, é que as principais mudanças na política tarifária não ocorram antes da eleição do novo presidente brasileiro. Para o Planalto, a reabertura do diálogo já representa um ativo político, pois demonstra disposição do governo brasileiro em manter as negociações com Washington.
Integrantes do alto escalão do Executivo também consideram que a comunicação direta entre Lula e Trump diminui o espaço de atuação de grupos que trabalham contra uma aproximação entre Brasil e Estados Unidos.
A ligação foi solicitada pelo presidente brasileiro e, de acordo com relatos de integrantes do governo, transcorreu de maneira cordial e positiva. Não teriam sido abordadas divergências mais sensíveis entre os dois governos. Trump teria elogiado a trajetória política de Lula e reforçado a disposição de manter um canal direto com o brasileiro.
Segundo esses relatos, o presidente dos Estados Unidos também teria afirmado que Lula pode entrar em contato com ele sempre que considerar necessário.
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da Redação