Fux dá 10 dias de prazo para o Ministro da Justiça de Lula
24/08/2026 às 12:23 Direito e Justiça
O ministro Luiz Fux estabeleceu um prazo de 10 dias para que o Ministério da Justiça e Segurança Pública informe o andamento do processo de extradição do espião russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, preso no Brasil desde 2022. A decisão foi tomada na última quinta-feira (20).
“Considerando o decurso de extenso prazo desde o trânsito em julgado da demanda bem como pleito defensivo de informações o andamento da entrega do extraditando, oficie-se o Ministério da Justiça para que no prazo de 10 dias preste informações acerca do andamento da entrega ao governo da Rússia”, diz a decisão de Fux.
O caso está sob análise do governo, responsável por decidir sobre a eventual extradição de Cherkasov. O russo cumpre pena na Penitenciária Federal de Brasília, de segurança máxima.
O governo aguarda a conclusão do 2º inquérito contra o espião antes de definir o “momento certo” para a entrega. No mês passado, o governo petista decidiu pela expulsão do russo e determinou uma proibição de retorno ao país por 30 anos. A medida, porém, não estabeleceu uma data para sua saída.
Cherkasov foi preso pela Polícia Federal em 2022 por uso de documento falso. Na ocasião, utilizava a identidade brasileira de Victor Muller, apresentava-se como brasileiro e frequentava aulas de forró.
O russo foi detido ao tentar desembarcar em Amsterdã, na Holanda, com um passaporte brasileiro adulterado. O objetivo era assumir um estágio no Tribunal Penal Internacional (TPI), justamente quando a Corte começava a investigar crimes de guerra atribuídos à Rússia na Ucrânia.
Desde a prisão, Rússia e Estados Unidos demonstraram interesse em Cherkasov. O governo russo foi o primeiro a solicitar sua extradição, sob a alegação de que ele seria procurado por tráfico internacional.
A Rússia enviou documentos ao Brasil, analisados pela PF. Os investigadores, porém, não conseguiram confirmar a veracidade das informações e avaliaram que o pedido poderia ser uma estratégia para “buscar” o espião de volta.
Os Estados Unidos também passaram a disputar a extradição após informações da CIA, a Agência Central de Inteligência dos EUA, apontarem que Cherkasov teria entrado no país com uma identidade falsa e espionado o território norte-americano durante uma passagem para estudar em uma universidade.
O espião cumpre pena até 2027 em um presídio federal. Ele é o último integrante de uma rede de espionagem mapeada pela PF no Brasil que ainda permanece no país.
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da Redação