Documento falso, prisão de verdade: a Justiça americana desmonta o caso Filipe Martins

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Parece roteiro de filme, mas infelizmente não é. Um homem foi preso preventivamente no Brasil com base num registro de imigração americano. Um juiz federal dos Estados Unidos olhou para esse registro e disse o que Brasília se recusava a ver: o papel é falso. Não é tese de defesa. É conclusão de juiz americano, com intimação assinada.

O caso é o de Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro. Na sexta-feira 21, a Folha de S.Paulo estampou: “Justiça americana diz que é falso documento dos EUA usado pelo STF para prender Filipe Martins”. Glenn Greenwald publicou reportagem mostrando que o tal registro foi a peça usada por Alexandre de Moraes para decretar a prisão preventiva em 2024. Marcel van Hattem resumiu: “Juiz americano CONFIRMA: entrada de Filipe Martins nos EUA foi FRAUDADA. Gregory Presnell acaba de intimar o CBP americano para informar COMO esse crime foi cometido e QUEM cometeu essa fraude”.

Nikolas Ferreira botou o dedo na ferida: “O responsável e o mandante da falsificação do documento usado pelo STF tem de ser presos e Filipe solto. Aqui é tudo invertido”. Invertido é pouco. Preso está quem não viajou; solto anda quem carimbou a viagem que não houve. A dona de casa que já caiu no golpe do boleto entende na hora: mudou o papel, o golpe é o mesmo.

Carlos Bolsonaro lembrou que a história nasceu torta: “Nem mesmo uma viagem que Filipe Martins tivesse feito JAMAIS seria, por si só, motivo para prisão, como já foi sustentado com utilização de matéria do blogueiro Guilherme Amado”. Traduzindo: primeiro escolheu-se o alvo, depois procurou-se o pretexto. Quando o pretexto ruiu, ninguém devolveu os dias de cadeia.

“A farsa mais escandalosa da história recente do Brasil vai ruindo a cada dia”, escreveu Flávio Bolsonaro, enquanto a hashtag LibertemFilipeMartins tomava conta do X, empurrada por perfis como o TeAtualizei. O deputado Filipe Barros foi ao ponto que dói no Tesouro: “Filipe Martins não apenas deve ser imediatamente solto, como indenizado por cada dia que passou preso injustamente”. E emendou: “Está na hora de trocar o Filipe de lugar com quem se utilizou de um documento falso para fazer perseguição política no Brasil”.

Há um detalhe que escancara o jogo. Recentemente, a defesa pediu revisão de pena, como registrou Carlos Jordy, e Mario Frias avisou: “A Justiça americana finalmente vai revelar quem está por trás do registro falso que foi usado contra Filipe Martins”. Eduardo Bolsonaro fez as três perguntas que o Planalto finge não ouvir: “Quem será responsabilizado? Quem falsificou o documento? A mando de quem?”. Repare no silêncio. Nenhuma autoridade correu ao microfone para responder.

Convém lembrar o outro lado do balcão. Quando o alvo era bolsonarista, manchete requentada bastava para virar prisão preventiva. Agora que a fraude aparece com selo de tribunal americano, o silêncio é de biblioteca. Faça o teste: procure a nota oficial explicando o papel falso. Não existe. Van Hattem aposta alto: “A cobra vai fumar e Alexandre de Moraes vai dançar!”. Otimismo dele. O histórico recomenda prudência.

Ao pagador de impostos sobra a lição de sempre: a farsa custa caro e a fatura nunca chega para quem a fabricou. Chega para o preso, para a família dele e para o país que assiste, cada vez mais duvidando do que é justiça.

da Redação
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