URGENTE: Glenn acessa processo de Filipe Martins nos EUA e faz revelações estarrecedoras
25/08/2026 às 16:24 Internacional
O jornalista Glen Greenwald acaba de publicar um artigo impactante sobre o caso Filipe Martins. Ele teve acesso aos autos do processo, que tramita numa corte federal dos EUA. Filipe Martins pede a identificação dos responsáveis pelo registro fraudulento de sua entrada naquele país e que serviu de justificativa para Alexandre de Moraes mantê-lo preso preventivamente durante todo o prazo do famigerado julgamento em que ele era réu, juntamente com outros integrantes do Governo Bolsonaro. Vale muito a leitura. Confira:
A C.B.P. da era Biden fabricou um documento usado para prender um alto funcionário brasileiro. Um juiz federal dos EUA acabou de ordenar a divulgação total.
O caso judicial federal tem implicações óbvias para a política brasileira, mas ainda mais para a segurança nacional dos EUA.
Em um caso com sérias repercussões para a segurança nacional dos EUA e para o Brasil, um juiz federal dos EUA nomeado por Clinton concluiu que um registro de imigração inserido no sistema da Alfândega e Proteção de Fronteiras durante o governo Biden era fraudulento. O registro fraudulento refletia uma entrada inexistente nos EUA do assessor de segurança nacional do ex-presidente Jair Bolsonaro. A entrada fabricada foi então de alguma forma obtida e usada por um controverso juiz do Supremo Tribunal Federal brasileiro para prender esse funcionário de segurança nacional.
Além de concluir que o documento do C.B.P. era falso, o juiz federal Gregory A. Presnell, do Distrito Central da Flórida, repreendeu os advogados do governo dos EUA por se recusarem a apresentar todos os documentos em posse do governo sobre quem era responsável por esse registro fraudulento e como ele acabou sendo usado no Brasil para prender um dos assessores mais próximos de Bolsonaro. Obtive uma cópia da transcrição dessa audiência judicial nos EUA e noticiei os acontecimentos na Folha de S.Paulo, o maior jornal do Brasil, na sexta-feira.
As ordens do juiz foram emitidas como parte de uma ação judicial movida em um tribunal federal dos EUA no final do ano passado por Filipe Martins, o principal assessor de Bolsonaro para relações internacionais, que foi preso preventivamente por seis meses em 2024 com base nessa entrada falsa de imigração do C.B.P. Na época, Martins aguardava julgamento sob a acusação de ter participado com Bolsonaro de uma trama para um golpe de estado após a vitória apertada de Lula sobre Bolsonaro na eleição presidencial de 2022.
O juiz que supervisiona os casos envolvendo o suposto golpe é o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que se tornou um alvo político não apenas em seu próprio país, mas também em todo o mundo. Ele supervisionou um esquema de censura tão severo que até mesmo o The New York Times citou especialistas em liberdade na internet chamando-o de “uma expansão de poder potencialmente perigosa e autoritária”. Em outras ocasiões, o Times — obviamente hostil a Bolsonaro — levantou questões sérias sobre se Moraes se tornou uma grave ameaça à democracia brasileira em nome de salvá-la.
Este é o mesmo juiz que ordenou que tanto o Rumble quanto o Twitter fossem bloqueados em todo o Brasil por se recusarem a cumprir todas as suas ordens de censura. Quando ele não conseguiu cobrar uma multa massiva que havia imposto ao Twitter devido à falta de contas bancárias da empresa no país, ele simplesmente ordenou quefundos fossem removidos das contas da Starlink, uma empresa completamente diferente ligada a Musk. No ano passado, o governo Trumpimpôs sanções financeiras pessoais sobre Moraes, alegando que Moraes realizou ataques tirânicos aos direitos de liberdade de expressão de empresas dos EUA e corrompeu a Justiça brasileira para fins abertamente partidários. O governo Trump parece pronto para impor sanções a ele novamente.
Moraes tem demonstrado repetidamente uma obsessão particular em punir Martins, que foi nomeado por Bolsonaro como seu assessor de segurança nacional aos 31 anos. A lei brasileira é semelhante à lei americana no que diz respeito aos direitos do réu em relação à prisão preventiva: em geral, os réus podem permanecer em liberdade antes do julgamento, salvo em circunstâncias muito restritas (como prova de intimidação de testemunhas ou um plano para fugir do país). Moraes de alguma forma obteve o falso registro de entrada da C.B.P. mostrando que Martins saiu do Brasil para os EUA e nunca voltou e, então, usou essa prova falsa para ordenar sua prisão preventiva antes do julgamento, alegando que isso provava que Martins buscava fugir da Justiça. Moraes colocou Martins em uma prisão particularmente severa, claramente esperando induzir “confissões” que implicassem Bolsonaro e outros inimigos políticos do juiz.
Uma das muitas perguntas que nunca foram respondidas — além da questão central de quem fabricou este documento — é como esse falso registro de entrada da C.B.P. foi parar nas mãos de brasileiros que tentavam prender Martins. A primeira vez que esse falso registro da C.B.P. apareceu publicamente foi quando um repórter brasileiro conhecido por ser muito próximo de Moraes, Guilherme Amado, publicou uma reportagem repleta de falsidades, claramente concebida para incriminar Martins, começando pela manchete altamente acusatória (e falsa): “Sob investigação, ex-assessor de Bolsonaro foi a Orlando em 2022 e evaporou.”
Apenas duas semanas depois, o mesmo repórter anunciou que o próprio Moraes havia começado a usar essa alegação, falando em off com vários jornalistas e políticos para lhes dizer que Martins havia ido aos EUA e “desaparecido”, claramente preparando o terreno para ordenar sua prisão. Semanas depois, Moraes fez exatamente isso, emitindo uma ordem que se baseava em um relatório policial com o registro fraudulento da C.B.P. para alegar que Martins havia ido aos EUA e nunca retornado ao Brasil (isto é, “evaporado”).
Não apenas é agora indiscutível que o documento em que essa história se baseou era fraudulento, como até a própria C.B.P. admite, mas ele já era tão obviamente fraudulento desde o início. De fato, em apenas dois dias de investigação do caso lá em 2024, eu já havia obtido tanta prova definitiva de que Martins nunca tinha saído do Brasil que nem mesmo meus meticulosos editores na Folha de S.Paulo tentaram de qualquer forma diluir a linguagem forte da minha reportagem — publicado logo após a ordem original de prisão de Moraes — declarando que Martins tinha sido preso com base em uma fraude clara.
Uma montanha de evidências provou que Martins esteve no Brasil o tempo todo, incluindo voos domésticos que Martins pegou dentro do Brasil na maior companhia aérea do país durante o período em que ele supostamente tinha “evaporado” nos EUA. Até mesmo o procurador federal que tinha solicitado originalmente a prisão de Martins com base no registro fraudulento da C.B.P. admitiu rapidamente que Martins nunca tinha saído do Brasil e instou Moraes a libertá-lo. Mas o juiz recusou, deixando-o preso por mais seis meses com base em uma mentira deslavada.
O processo de Martins nos EUA foi movido contra o Departamento de Estado e a C.B.P. sob a Lei de Liberdade de Informação. Seu pedido via F.O.I.A. buscava todos os documentos internos do governo dos EUA que mostrassem quem foi responsável, durante os anos Biden, pela entrada fraudulenta de imigração e como isso acabou nas mãos de Moraes como pretexto para a prisão de Martins. Quando a C.B.P. se recusou a fornecer esses documentos, alegando uma investigação em curso, ele processou a agência sob a F.O.I.A. Na última audiência judicial, oo juiz sênior nomeado por Clinton ordenou que funcionários da C.B.P. lhe fornecessem todos os documentos relacionados à investigação da C.B.P. que revelam quem foi especificamente responsável por essa fraude e como ela acabou nas mãos de autoridades brasileiras que buscam prender Martins.
O juiz Presnell expressou indignação pelo fato de a C.B.P. ter se recusado até agora a fornecer os documentos. Ele começou a audiência deixando sua visão sobre o caso muito clara, e enfatizou que havia pouco sobre esses eventos que fosse desconhecido ou duvidoso:
Os advogados da C.B.P. ofereceram suas desculpas por não terem produzido ainda os documentos esclarecedores para Martins. Martins, alegaram eles, não especificou quais funcionários da C.B.P. participaram da fraude, e os advogados insistiram que, por isso, não podiam restringir as buscas. O juiz, que agora tem 83 anos e está no tribunal há décadas, mal tentou esconder seu desprezo pela óbvia desonestidade de má-fé que moldava as desculpas dos advogados do governo:
Uma razão pela qual o juiz é tão enfático quanto à clareza dos fatos aqui é que a própria C.B.P., sob grande pressão política para explicar como algo tão estranho e tão prejudicial pôde ter acontecido, admitiu a fraude meses atrás. Em outubro do ano passado, a C.B.P. emitiu uma declaração pública admitindo essencialmente que o registro de imigração que alguém inseriu em seu sistema sob o governo Biden era falso, mas também, simultaneamente, perfeitamente projetado para permitir que o juiz Moraes, no Brasil, justificasse a prisão de Martins. A C.B.P., agora sob o governo Trump, disse:
Após a conclusão da análise, determinou-se que o Sr. Martins não entrou nos EUA naquela data.
Esta conclusão contradiz diretamente as alegações feitas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal brasileiro Alexandre de Moraes, um indivíduo que foi recentemente sancionado pelos EUA por suas violações dos direitos humanos contra o povo brasileiro.
Reconhecemos que o Ministro de Moraes citou um registro errôneo para justificar a prisão de meses do Sr. Martins. A inclusão deste registro impreciso nos sistemas oficiais da C.B.P. permanece sob investigação, e a C.B.P. tomará as medidas apropriadas para evitar que discrepâncias futuras ocorram.
A C.B.P. condena veementemente qualquer uso indevido desta falsa entrada para apoiar a condenação ou prisão do Sr. Martins ou de qualquer pessoa.
Durante a audiência, o juiz novamente enfatizou não apenas a simplicidade dos fatos aqui, mas também o quão perturbadores eles são:
Esta audiência mais recente e essas declarações definitivas do juiz demonstraram por que este caso se tornou cada vez mais suspeito e bizarro. As implicações políticas são óbvias: autoridades do governo Biden — abertamente hostis ao governo Bolsonaro e fortemente favoráveis a Lula — fabricaram deliberadamente um registro de imigração para permitir que Moraes ordenasse a prisão injusta deste alto funcionário brasileiro?
Mas isso também tem graves implicações de segurança nacional para os EUA: se agentes da C.B.P. — ou as autoridades políticas que os supervisionam — estão dispostos e aptos a inserir registros de imigração falsos no sistema da C.B.P. sobre quem entrou no país, ou, inversamente, a remover e deletar registros de entrada genuínos para esconder quem entrou nos EUA, então todos os tipos de perigos à segurança nacional são manifestos.
Em dezembro passado, Martins foi um dos muitos auxiliares de Bolsonaro considerados culpados por Moraes de conspirar com Bolsonaro para arquitetar um golpe, e foi sentenciado a 21 anos de prisão. Bolsonaro foi sentenciado a quase 30 anos. Seus recursos estão pendentes. Pela lei brasileira, um condenado não pode ser preso até que tenha esgotado todos os recursos (este precedente foi estabelecido em 2019, ordenando a soltura de Lula da prisão enquanto aguardava seus recursos).
Mas um mês após a condenação, com Martins em prisão domiciliar, Moraes alegou que Martins de alguma forma violou as restrições ao uso de redes sociais quando seus advogados acessaram uma conta no LinkedIn. Moraes então ordenou que a Polícia Federal prendesse Martins e o levasse de volta para a prisão, onde ele permanece desde então enquanto aguarda seu recurso.
O Brasil tem eleições nacionais agendadas para 4 de outubro de 2026. Não apenas escolherá entre Lula e Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, na corrida presidencial, mas também elegerá uma nova lista de senadores federais. O Senado já está muito próximo de ter os votos necessários para remover Moraes do Tribunal por meio de impeachment. Há uma boa chance de que a eleição de outubro entregue os votos finais necessários no Senado para removê-lo.
Nesse meio tempo, parece óbvio que uma investigação séria e agressiva do Congresso é necessária para chegar ao fundo de como o sistema de imigração dos EUA — obviamente vital para a segurança nacional dos EUA — pôde ter sido tão facilmente fraudado e manipulado para fins políticos.
O link do artigo: https://greenwald.substack.com/p/the-biden-era-cbp-fabricated-a-document
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da Redação