
EUA se preparam para maior cancelamento em massa de vistos da história

29/08/2026 às 11:06 Internacional

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O governo dos Estados Unidos está se organizando para cancelar os vistos de negócios e turismo de até 200 mil estrangeiros que pediram ou estão em processo de solicitação de asilo no país. Se a medida for oficializada, representará a maior revogação coletiva de vistos já registrada na história americana e deve enfrentar questionamentos na Justiça.
O Departamento de Estado deve divulgar nas próximas semanas a anulação dos vistos B1 e B2 concedidos entre 2016 e 2026. Serão atingidos aqueles que solicitaram asilo ou estão com o pedido em andamento, conforme documentos da pasta obtidos pela Associated Press e relatos de dois funcionários do governo, que falaram sob anonimato. Os vistos B1 destinam-se normalmente a viagens a trabalho, enquanto os B2 são usados para turismo, visitas a parentes ou tratamentos médicos. Ainda não está claro quantos titulares desses documentos estão realmente buscando asilo e serão impactados.
A ação será realizada em parceria com o Departamento de Segurança Interna (DHS). O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, afirmou: “Estamos coordenando com o DHS para identificar e revogar os vistos de não imigrante de estrangeiros que vieram aos EUA alegando ser visitantes de curto prazo, mas depois solicitaram asilo para permanecer no país permanentemente”.
Pigott evitou confirmar o número total de cancelamentos, ressaltando que o processo será contínuo e gradual, por isso o total permanece variável.
Segundo as fontes ouvidas pela Associated Press, a revogação não implica deportação imediata. A maioria das pessoas com pedidos de asilo em análise terá o status migratório alterado, perdendo apenas a condição de turista ou viajante a negócios.
Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, o governo tem reforçado restrições a solicitantes de visto. Entre as novas exigências estão a apresentação de histórico mais detalhado nas redes sociais, o pagamento de taxas elevadas e a proibição de emissão de vistos para cidadãos de determinados países.
Na segunda-feira (24), o vice-secretário de Estado Christopher Landau criticou, em publicação nas redes sociais, quem utiliza vistos de turismo e negócios como porta de entrada para depois pedir asilo. “As pessoas nos EUA e em todo o mundo estão cansadas de pedidos de asilo fraudulentos. O asilo não deveria ser uma brecha para contornar a legislação de imigração”, escreveu.
Landau citou o exemplo de um colombiano que entrou no país em 2015 com visto de turista e depois solicitou asilo. Atualmente, candidatos a vistos B1 e B2 precisam declarar que não pedirão asilo e provar intenção de retornar ao país de origem.
Nos últimos 18 meses, o Departamento de Estado já cancelou cerca de 175 mil vistos de pessoas condenadas ou acusadas de crimes (de direção sob efeito de álcool a estupro e roubo) e de indivíduos que se posicionaram publicamente contra políticas americanas, sobretudo relacionadas ao Oriente Médio.
O governo também tem combatido o chamado “turismo de nascimento”, prática em que mulheres estrangeiras grávidas viajam aos EUA para que os filhos nasçam com cidadania americana. Tentativas anteriores de Donald Trump de acabar com o direito de cidadania por nascimento foram barradas pelos tribunais, inclusive pela Suprema Corte. Os documentos do Departamento de Estado indicam que a análise dos atuais titulares de vistos B1 e B2 teve início após a pasta receber dados sobre pedidos de asilo do Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS).
Essa é uma matéria da Revista A Verdade! Acesse a última ediição no link: https://assinante.jornaldacidadeonline.com.br/revistas/averdade/297





