Empresas gigantes e marcas famosas abandonam o Brasil

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A decisão da General Mills de encerrar a distribuição da Häagen-Dazs no Brasil colocou novamente em evidência uma realidade do mercado nacional: ao longo dos anos, empresas estrangeiras de diferentes setores reduziram suas operações, fecharam fábricas, abandonaram lojas físicas ou deixaram de vender determinados produtos no país.

No caso da Häagen-Dazs, a saída ocorre depois de quase três décadas de presença no mercado brasileiro. A General Mills informou que a decisão está relacionada a um plano de reformulação de portfólio, sem apresentar uma justificativa adicional específica para o encerramento da distribuição.

A movimentação da marca de sorvetes, porém, está longe de ser um episódio isolado. Empresas dos setores automotivo, varejista, de tecnologia, alimentos, medicamentos e fotografia já adotaram medidas semelhantes no Brasil. Em alguns casos, houve uma retirada completa; em outros, apenas determinados segmentos foram descontinuados, enquanto as companhias continuaram atuando no país por meio de outras áreas.

Confira alguns exemplos abaixo...

Häagen-Dazs

A Häagen-Dazs chegou ao Brasil em 1997 e, durante parte de sua trajetória, manteve lojas próprias no país. Em 2018, a General Mills encerrou as unidades próprias que ainda estavam em funcionamento, mas os produtos da marca continuaram disponíveis no mercado brasileiro por meio de outros canais de venda.

Agora, a empresa decidiu interromper a distribuição da marca no Brasil. A General Mills informou que a medida está relacionada ao “plano de reformulação de portfólio” anunciado pela companhia em março deste ano.

A empresa não apresentou outro motivo específico para explicar a saída da Häagen-Dazs do mercado brasileiro.

Haribo

Conhecida mundialmente pelas balas de gelatina em formato de ursinho, a alemã Haribo comercializava seus produtos no Brasil por meio de importações antes de instalar uma unidade industrial no país.

Em 2016, a companhia começou a fabricar seus produtos em Bauru, no interior de São Paulo. A unidade brasileira foi a primeira fábrica da Haribo instalada fora da Europa.

A operação, contudo, chegou ao fim. Em abril deste ano, a empresa anunciou o encerramento das atividades industriais no Brasil. A fábrica continuou funcionando até julho, seguindo o cronograma estabelecido para a desativação.

Ao explicar a decisão, a Haribo mencionou o “cenário de competitividade e de fatores externos que impactaram o ambiente de negócios”. A companhia também afirmou que avalia continuamente suas operações considerando fatores como competitividade, ambiente empresarial e sustentabilidade de longo prazo.

Ford

A Ford iniciou sua história no Brasil em 1919, quando instalou uma unidade em São Paulo. Com o passar das décadas, a montadora expandiu sua presença e chegou a fabricar veículos em diferentes unidades industriais.

Em janeiro de 2021, entretanto, a empresa anunciou o encerramento da produção de veículos no país. As fábricas de Camaçari (BA) e Taubaté (SP) encerraram suas atividades naquele ano, assim como a unidade da Troller em Horizonte (CE).

A decisão foi atribuída pela Ford à capacidade ociosa das fábricas, à queda nas vendas e a anos de prejuízos. A montadora também citou o ambiente econômico desfavorável e os impactos provocados pela pandemia.

A saída da produção nacional não representou o fim das atividades comerciais da Ford no Brasil. A empresa continuou atendendo consumidores brasileiros e passou a abastecer o mercado principalmente com veículos importados de outras regiões.

Mercedes-Benz

A Mercedes-Benz iniciou sua trajetória industrial brasileira em 1956, com a fabricação de caminhões e ônibus. Décadas mais tarde, a companhia também passou a produzir automóveis no país.

Em 2020, a montadora alemã anunciou o encerramento da produção de automóveis em Iracemápolis, no interior de São Paulo. Inaugurada em 2016, a fábrica produzia os modelos Classe C e GLA.

A empresa justificou a decisão pela situação econômica brasileira, agravada naquele período pelos efeitos da pandemia e pela retração nas vendas de veículos premium. A reestruturação da rede global de produção e a busca por maior eficiência também foram apontadas como fatores para a mudança.

A Mercedes-Benz, contudo, não deixou o Brasil. A companhia manteve a fabricação de caminhões e chassis de ônibus no país e continuou comercializando automóveis importados.

Forever 21

A rede norte-americana de moda Forever 21 desembarcou no mercado brasileiro em 2014. Naquele ano, a companhia abriu suas primeiras lojas e chegou a alcançar 15 unidades no país.

A operação física foi encerrada em 2022. As lojas deixaram de funcionar gradualmente depois de campanhas de liquidação destinadas a escoar os estoques.

Entre os fatores citados pela Forever 21 estavam as dificuldades financeiras da companhia e um cenário considerado desfavorável para sua operação brasileira, marcado por custos elevados, baixa escala e forte concorrência de varejistas asiáticas.

Fnac

A francesa Fnac começou a operar no Brasil em 2000, com um modelo de lojas que reunia livros, filmes, música, eletrônicos e outros produtos culturais. No auge de sua expansão, a rede chegou a manter 12 unidades no país.

Em 2017, a Livraria Cultura adquiriu a operação brasileira da Fnac. No ano seguinte, as lojas foram fechadas. A última unidade em funcionamento, localizada em Goiânia, encerrou as atividades em outubro de 2018.

A Fnac havia afirmado que a operação brasileira precisava alcançar um “tamanho crítico” para conquistar maior relevância e fortalecer sua posição no mercado. A controladora também apontou a redução das vendas, o aumento da concorrência e o cenário de crise econômica.

Walmart

O Walmart chegou ao Brasil em 1995 e, ao longo dos anos, construiu uma extensa rede de lojas em diferentes regiões.

A estrutura mudou de controle em 2018, quando o fundo Advent International comprou 80% da operação brasileira. A partir dessa transação, o negócio passou por uma ampla reestruturação e a tradicional marca Walmart começou a ser substituída por outras bandeiras.

A companhia havia relacionado a mudança a uma revisão de seu portfólio internacional. Segundo a empresa, a parceria com a Advent tinha como objetivo fortalecer a operação brasileira e criar condições para seu crescimento no longo prazo.

A partir de 2019, a operação brasileira passou a utilizar a marca Grupo BIG. Com isso, a marca Walmart deixou de aparecer nas lojas do país, embora o negócio continuasse em funcionamento sob novo controle e diferentes bandeiras.

Sony

Presente no Brasil desde 1972, a Sony construiu uma forte identificação no mercado nacional, principalmente com televisores, câmeras e equipamentos de áudio.

Em 2020, a companhia anunciou o fechamento de sua fábrica em Manaus e o encerramento da produção nacional de TVs, câmeras e equipamentos de áudio. Em março de 2021, a empresa confirmou que também deixaria de comercializar esses produtos no mercado brasileiro.

A Sony explicou que a decisão estava relacionada às condições do mercado e às perspectivas para seus negócios no Brasil. A medida fazia parte de uma revisão das operações e tinha como objetivo adequar a estrutura da empresa às mudanças no ambiente externo e fortalecer a sustentabilidade de suas atividades.

A retirada, no entanto, foi parcial. A Sony continuou presente no Brasil com negócios como PlayStation, música, entretenimento e soluções profissionais. A companhia também manteve serviços de suporte e assistência técnica para produtos comercializados anteriormente.

Nikon

A japonesa Nikon, conhecida por suas câmeras, lentes e equipamentos fotográficos, anunciou em 2017 que deixaria de vender diretamente no Brasil seus produtos destinados ao mercado de fotografia.

Em setembro de 2018, a empresa comunicou o encerramento de suas atividades no país. A decisão fazia parte de uma reestruturação global que envolvia a otimização das estruturas de pesquisa e desenvolvimento, vendas e fabricação.

Segundo a Nikon, as mudanças tinham como objetivo fortalecer as bases da companhia para alcançar um crescimento sustentável no longo prazo.

Roche

A Roche está presente no Brasil desde 1931 e, durante décadas, também manteve produção de medicamentos no país. Sua fábrica em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, chegou a produzir medicamentos como Bactrim, Lexotan e Rivotril.

Em 2019, a companhia anunciou o fechamento da unidade industrial em razão da redução dos volumes de produção e de mudanças em sua estratégia global. Conforme relatório de sustentabilidade da própria empresa, o processo de encerramento da produção foi concluído em 2024.

A Roche relacionou o fechamento às transformações em seu portfólio de medicamentos e à estratégia global de inovação da companhia.

Apesar do fim da produção naquela fábrica, a Roche não deixou o mercado brasileiro. A empresa continua mantendo operações comerciais no país e disponibilizando medicamentos para os consumidores brasileiros.

Topshop

A britânica Topshop chegou ao Brasil em 2012, quando abriu uma loja no shopping JK Iguatemi, em São Paulo. A marca chegou a manter quatro endereços no Estado.

A expansão, porém, não se consolidou. Em 2016, a Topshop anunciou o fechamento de sua última loja brasileira, localizada no próprio JK Iguatemi, encerrando sua operação física no país.

A companhia não apresentou uma explicação detalhada para a decisão. A marca enfrentava dificuldades no mercado brasileiro, incluindo questões relacionadas ao pagamento de aluguéis e ao desempenho das lojas, mas esses fatores não foram oficialmente apontados pela empresa como causa da saída.

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