
Alfredo Gaspar, o homem que desmontou o esquema do INSS e agora mira o Planalto

25/08/2026 às 21:40 Política

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Na CPMI do INSS, Alfredo Gaspar não se contentou em apontar desvios pontuais. O relatório apresentado por ele desmontou um esquema estruturado que drenou bilhões dos aposentados e chegou até o entorno do presidente da república. Agora, escolhido como vice de Flávio Bolsonaro, o ex-promotor e ex-secretário de Segurança de Alagoas leva para a disputa presidencial a mesma lógica: seguir o dinheiro (‘follow the money’), responsabilizar os culpados e recuperar a autoridade do Estado.
Em entrevista exclusiva à Revista A Verdade, Gaspar fala sobre a tentativa do governo federal em blindar Lulinha, a perda da soberania nacional nas mãos do crime organizado, e a guerra contra as facções. Sem meias palavras, ele deixa o seu recado: a lei precisa valer para todos. Confira!
Revista A Verdade: O desafio não é apenas combater a corrupção, mas sim desaparelhar as estruturas que os corruptos criam para perpetuar a corrupção? Como foi no caso do INSS, onde havia uma corrupção sistemática?
Alfredo Gaspar:
O desafio é desmontar toda a estrutura que permite que a corrupção continue funcionando. No caso do INSS, não estávamos diante de um desvio isolado. Encontramos um esquema organizado na estrutura pública com entidades, intermediários, empresários e agentes públicos, que explorou aposentados e pensionistas. Toda a cadeia diretiva do INSS no governo Lula foi presa. A fraude explodiu pra bilhões de reais no atual governo.
O combate à corrupção faz parte da minha história de vida. E aprendi que não adianta combater apenas quem aparece na ponta. É preciso seguir o dinheiro, identificar quem abriu as portas, quem se beneficiou, quem protegeu e quem permitiu que o esquema continuasse funcionando.
Foi isso que fizemos na CPMI. É preciso cortar essa rede pela raiz e responsabilizar todos os envolvidos, independentemente de quem sejam ou do poder que tenham.

Alfredo Gaspar na CPMI do INSS – Reprodução internet
Revista A Verdade: O senhor tem acompanhado as manobras para tentar blindar Lulinha no caso do roubo do INSS? A PGR agora está pedindo que o caso de Lulinha deixe o STF e seja encaminhado para primeira instância. Por que não fizeram isso com os presos do 8 de janeiro e outros que foram julgados pela Suprema Corte?
Alfredo Gaspar:
Há uma tentativa evidente de blindar Lulinha. Na CPMI do INSS, eu não pedi a prisão dele por motivação política. Pedi porque encontramos provas e elementos concretos durante as investigações. E aquilo que nós revelamos na CPMI agora também aparece nas investigações da Polícia Federal. As conexões que apontamos não desapareceram. Pelo contrário, continuam surgindo.
Eu disse naquela época e repito agora. Lulinha tem muito o que explicar à Justiça. Ser filho do presidente da República não pode servir de escudo contra investigação.
O brasileiro não consegue entender por que alguns casos envolvendo pessoas sem foro são enviados à primeira instância, enquanto os presos do 8 de janeiro e outros réus foram julgados diretamente pelo STF. Justiça não pode ter dois pesos e duas medidas. O que eu defendo é muito simples. A Constituição e a lei precisam valer para todos. E, seja no STF ou na primeira instância, as investigações envolvendo Lulinha precisam avançar e chegar até o fim.

Revista A Verdade: O senhor foi escolhido como vice-presidente de Flávio Bolsonaro nessa eleição. Como o senhor recebeu essa notícia? Quais são seus planos e perspectivas caso Flávio Bolsonaro vença?
Alfredo Gaspar:
Eu credito esse convite a três fatores. Primeiro, o Nordeste. Como tem dito o presidente Flávio Bolsonaro, o Nordeste é solução. Nós temos uma região com enorme potencial para ajudar na virada de chave do Brasil. Temos bolsões de desenvolvimento, mas também grandes bolsões de vulnerabilidade. O que Flávio propõe é justamente mudar essa trajetória, levando oportunidades, desenvolvimento, emprego e crescimento para o Nordeste.
O segundo ponto é o combate à criminalidade. Fiz isso a minha vida toda. Foram 24 anos como promotor, fui chefe do Ministério Público e duas vezes secretário de Segurança, sempre enfrentando a bandidagem e o crime organizado.
E o terceiro é o combate à corrupção, que também faz parte da minha história de vida. Acredito no projeto de Flávio Bolsonaro e do nosso grupo. Nós temos um projeto para o Brasil. Por isso, não pensei duas vezes antes de aceitar esse convite.
Revista A Verdade: O senhor tem uma carreira na segurança pública. De que forma isso o preparou para esse momento, tanto na CPMI do INSS quanto como candidato a vice-presidente da República?
Alfredo Gaspar:
Passei minha vida enfrentando a criminalidade. Enfrentei a bandidagem e o crime organizado quando muita gente preferia não enfrentar.
Essa experiência foi fundamental na CPMI do INSS. Investigação não se faz com discurso. É preciso seguir o dinheiro, entender como a organização funciona, identificar seus núcleos e chegar a quem realmente se beneficia do crime.
E é essa experiência que quero levar para o governo ao lado de Flávio Bolsonaro. O Brasil não pode continuar assistindo a organizações criminosas dominarem territórios, portarem fuzis, utilizarem explosivos, matarem cidadãos e agentes públicos e determinarem suas próprias regras.
Flávio já deixou claro que vamos declarar guerra ao crime organizado. O Estado brasileiro precisa recuperar sua autoridade e ser mais forte que o crime.
Revista A Verdade: Lula fala bastante sobre “soberania”. O que é, de fato, a verdadeira soberania?
Alfredo Gaspar:
Para mim, soberania começa dentro de casa. Existem brasileiros vivendo hoje sob o domínio do crime organizado. Isso é perda de soberania.
Não precisamos que qualquer nação diga ao Brasil como classificar as organizações que estão infernizando a vida do nosso povo. O Estado brasileiro precisa ter autoridade para enfrentar seus próprios criminosos e recuperar os territórios que estão nas mãos das facções.
Soberania é proteger nossas fronteiras, nosso território, nossas instituições e, acima de tudo, o povo brasileiro.
Revista A Verdade: Flávio Bolsonaro fala em fazer negócios com os Estados Unidos, com a China e outros países. Enquanto temos um candidato que fala em fazer os melhores negócios para o Brasil, temos do outro lado um candidato buscando um confronto com os Estados Unidos e priorizando negócios com parceiros ideológicos e ditaduras. Como o senhor vê essa questão?
Alfredo Gaspar:
O Brasil precisa defender seus interesses, e não interesses ideológicos.
Precisamos negociar com Estados Unidos, China e qualquer outro país que queira manter relações comerciais sérias com o Brasil precisam encontrar um país disposto ao diálogo e preparado para defender seus próprios interesses. Temos que buscar os melhores negócios para o povo brasileiro, priorizando emprego, investimentos, tecnologia, desenvolvimento e segurança. Política externa não pode ser feita com base em afinidade ideológica. Tem que ser feita pensando no Brasil.

Revista A Verdade: Como o senhor vê as declarações do ministro da Defesa, José Múcio, dizendo que “se os Estados Unidos quiserem invadir o Brasil, a gente tem que abrir o portão”? Isso é o reflexo de anos de falta de investimento nas Forças Armadas? Ou podemos ir além, as fronteiras abertas e a falta de investimento em segurança seriam propositais?
Alfredo Gaspar:
A fala de José Múcio é a confissão do abandono das Forças Armadas e da segurança nacional pelo governo Lula. Não acredito que fronteiras abertas sejam um acidente: durante anos, o governo do PT tratou defesa e segurança como despesas, quando na verdade são deveres essenciais do Estado.
Revista A Verdade: Muitas empresas no Brasil estão entrando com pedido de recuperação judicial e demitindo milhares de funcionários. Isso representa um alerta grave para a economia? É o resultado das políticas econômicas adotadas pelo governo Lula?
Alfredo Gaspar:
É um alerta gravíssimo. Quando empresas fecham, entram em recuperação judicial ou precisam demitir trabalhadores, quem sofre na ponta é o brasileiro.
Juros altos, insegurança jurídica, aumento de impostos e falta de confiança afastam investimentos, dificultam a vida de quem produz e destroem empregos.
O Brasil precisa voltar a respeitar quem trabalha e quem empreende. O empresário que gera emprego não pode ser tratado como inimigo. Precisamos criar um ambiente de confiança, responsabilidade e segurança jurídica para que o país volte a crescer.
Revista A Verdade: A pedido da primeira-dama Janja, a plataforma Discord foi retirada do ar. E a Agência Nacional de Proteção de Dados já avalia fiscalizar outras 37 empresas. Como o senhor vê essa questão?
Alfredo Gaspar:
Crianças e adolescentes são nossos tesouros e precisam ser protegidos com todo o rigor. Quem utiliza a internet para cometer crimes contra crianças precisa ser identificado, investigado e punido.
Mas isso é completamente diferente de usar a proteção das crianças ou o chamado combate à desinformação como justificativa para controlar o debate público.
Liberdade de expressão é fundamento da democracia. Quem pratica crime precisa responder pelo crime. O que não podemos permitir é que opiniões políticas sejam tratadas como crime ou que o Estado determine aquilo que o brasileiro pode ou não dizer.
Revista A Verdade: O senhor sofreu recentemente um dos ataques mais baixos já vistos na política nacional, primeiro pelo relatório brilhante que apresentou na CPMI do INSS, segundo por figurar agora como candidato a vice-presidente na campanha de Flávio Bolsonaro. Como o senhor tem lidado com isso e o que pretende fazer?
Alfredo Gaspar:
Fui vítima da maior fake news da história política do Brasil. O que tenho feito é enfrentar tudo com serenidade, documentos e a verdade. Depois do trabalho que fizemos na CPMI do INSS, mexemos com interesses poderosos. Mostramos ao Brasil um esquema gigantesco contra aposentados e pensionistas e chegamos a pessoas que muitos não queriam que fossem alcançadas.
Depois vieram os ataques contra mim. Fiz tudo o que estava ao meu alcance para que a verdade aparecesse. Entreguei voluntariamente meu material genético e pedi que fosse feita a comparação. Quero celeridade, a verdade já foi descoberta, os parlamentares denunciantes compraram uma estória mentirosa, a própria imprensa já desmascarou a farsa.
Passei minha vida enfrentando a bandidagem, organizações criminosas e interesses poderosos. Não será agora que vou recuar. Não vão me intimidar. Continuarei denunciando criminosos, combatendo a corrupção e defendendo minha honra. Confio na Justiça e tenho certeza de que a verdade prevalecerá.
Revista A Verdade: Que recado o senhor gostaria de deixar para o povo brasileiro?
Alfredo Gaspar:
Continuem acreditando no Brasil. Nós vamos vencer! Temos um projeto para o país. Um projeto que passa pelo desenvolvimento, pela geração de oportunidades e pela recuperação da segurança.
Nosso país precisa de coragem, trabalho, honestidade e respeito à lei. Precisamos devolver segurança ao cidadão de bem, combater o crime organizado, enfrentar a corrupção e criar oportunidades para quem trabalha e sustenta este país.
Também precisamos recuperar a autoridade do Estado. Não há espaço para tolerância com organizações criminosas que dominam territórios e infernizam a vida dos brasileiros.
Passei minha vida combatendo a criminalidade e a corrupção. Agora, ao lado de Flávio Bolsonaro, recebi uma missão ainda maior.
Vamos trabalhar para devolver segurança ao cidadão de bem, oportunidade para quem quer trabalhar e esperança para nossas famílias. O Brasil vai vencer.





