
PT "surta" e vai à Justiça para tentar tirar do ar vídeo impactante de Rubinho Nunes
Coligação do PT solicitou a remoção de publicação em que candidato a deputado federal debate eleitores na Avenida Paulista

28/08/2026 às 18:52 Política

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A coligação que reúne PT e partidos aliados acionou a Justiça Eleitoral para tentar retirar das redes sociais um vídeo do vereador e candidato a deputado federal por São Paulo Rubinho Nunes (União Brasil). Na publicação, gravada durante conversas com eleitores na Avenida Paulista, o candidato rebate uma acusação contra Jair Bolsonaro, critica o governo Lula e questiona a reforma tributária associada a Fernando Haddad.
A representação foi apresentada pela Coligação Desperta São Paulo, composta pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), Federação PSOL/Rede, PDT e PSB, juntamente com a Federação Brasil da Esperança de São Paulo. Os autores solicitaram, em caráter de urgência, a remoção do conteúdo das redes sociais.
O vídeo foi publicado no dia 26 de agosto e registra Rubinho conversando com diferentes eleitores na Avenida Paulista sobre o cenário político e econômico do país. Durante as abordagens, o candidato confronta informações apresentadas pelos entrevistados, critica o governo Lula e defende mudanças na política econômica brasileira.
Vídeo mostra debate com eleitores
Em um dos momentos da gravação, uma mulher afirma que Bolsonaro teria dito que nordestinos deveriam “comer capim”. Rubinho imediatamente questiona a afirmação:
“Mas onde ele falou?”
Durante a conversa, o vídeo exibe na tela uma manchete do Estadão com o título:
“Vídeo em que Bolsonaro oferece capim a eleitores de Lula é de 2018 e não há menção a nordestinos”.
Na sequência, outro eleitor afirma estar indeciso e diz que votaria no presidente que conseguisse contribuir para transformar o Brasil na quarta maior economia do mundo.
Rubinho então responde:
“Com o Lula você não, que ele já mostrou que com ele só vai afundar. Vai para vigésima, quadragésima…”
Questionado pelo eleitor se considera possível o Brasil chegar à posição de quarta maior economia do mundo, Rubinho responde que sim e apresenta as medidas que, na sua avaliação, seriam necessárias:
“Precisa de um remédio sério, o remédio amargo para resolver o problema. Cortar na carne, diminuir o número de ministérios, cortar o número de cargos, simplificação tributária, acabar com aquela reforma do Haddad que só arrebenta a vida de todo mundo.”
O candidato prossegue defendendo medidas para estimular o empreendedorismo e criticando a condução econômica do governo Lula:
“Aí a gente vai conseguir que o Brasil volte a empreender, que o Brasil volte a ser rico. O governo hoje ataca quem produz no país. Parece que incentiva as pessoas a serem pobres, a não trabalharem. Olha o absurdo que nós temos hoje.”
Ao final da publicação, Rubinho se identifica como candidato a deputado federal e apresenta seu número de urna, 4455.
Coligação recorre à Justiça
Na representação, PT e aliados argumentam que a crítica política pode ser veiculada de forma orgânica, mas sustentam que a legislação eleitoral não permitiria o impulsionamento pago de conteúdo negativo contra adversários. Segundo a tese apresentada na ação, o impulsionamento deve ter como finalidade promover ou beneficiar o próprio candidato ou sua legenda.
Apesar de a argumentação jurídica estar centrada no impulsionamento, a coligação solicitou também a remoção do próprio conteúdo das redes sociais. Além disso, pediu que Rubinho fosse impedido de realizar novos impulsionamentos daquela publicação ou de conteúdos considerados de “idêntico teor negativo contra adversários”.
TRE-SP não determina retirada do vídeo
A juíza auxiliar da propaganda Claudia Fonseca Fanucchi analisou o pedido em caráter liminar e concedeu a tutela de urgência em menor extensão do que havia sido requerida pela coligação.
A decisão determinou que os provedores responsáveis interrompam, no prazo de 24 horas, o impulsionamento associado ao anúncio. Foi estabelecida multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento, inicialmente limitada a R$ 30 mil. A Justiça, porém, não determinou a remoção do vídeo das redes sociais.
A magistrada ressaltou ainda que a decisão é provisória e “não importa antecipação do julgamento de mérito”. A análise definitiva sobre a existência de irregularidade, eventual responsabilidade do candidato e aplicação de sanções ocorrerá posteriormente, após a apresentação da defesa e manifestação do Ministério Público Eleitoral.
Rubinho critica tentativa de retirar conteúdo
Para Rubinho Nunes, a iniciativa da coligação adversária representa uma tentativa de restringir o debate político e retirar das redes uma publicação que contém críticas ao governo Lula e às propostas associadas a Fernando Haddad.
“O PT foi à Justiça pedir para tirar do ar um vídeo porque eu critiquei Lula e a reforma do Haddad. Quando não conseguem responder à crítica, tentam silenciar quem critica. A Justiça não mandou apagar o vídeo e eu não vou deixar de falar o que penso sobre o governo Lula porque o PT se incomodou.”
Rubinho afirma que continuará defendendo durante a campanha a redução da estrutura do Estado, a simplificação tributária e políticas voltadas à geração de emprego e ao empreendedorismo.
“Se o PT acha que processo vai me impedir de criticar Lula, pode continuar tentando. Vou continuar defendendo menos ministérios, menos cargos, menos impostos e um Brasil que incentive quem trabalha e produz. Divergência política se enfrenta com argumento, não tentando tirar vídeo do ar.”
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