Lula explica o que pensa de quem trabalha e revolta os brasileiros
06/09/2026 às 10:22 Política
A cena é de sábado, dia 29, com microfone aberto e país ouvindo. Lula resolveu explicar o que pensa do trabalho braçal. Sobrou para o gari. Sobrou para o lixeiro. Sobrou, no fim das contas, para todo brasileiro que sustenta a casa com suor, uniforme e marmita, e não com cargo comissionado.
A frase correu as redes registrada por Marcos Petrucelli: “Coletor de lixo é uma coisa pobre (...) não é uma profissão que dá orgulho.” O senador Jorge Seif Junior descreveu o quadro sem precisar de adjetivo: “O presidente da República, ao vivo, chamou a profissão de lixeiro de ‘coisa pobre’ e disse que o trabalhador não tem orgulho do que faz.” Não foi frase tirada de contexto. Foi o contexto inteiro cabendo numa frase.
A resposta mais certeira saiu no sábado mesmo, de Nikolas Ferreira: “Agora resolveu menosprezar os garis… O trabalho deles é digno. Ninguém tem orgulho é de roubar!!!” Três frases, uma aula. O gari carrega o que a cidade descarta. O entorno do presidente, como se sabe, carrega inquérito.
O deputado Sanderson foi direto ao ponto: “Gari é trabalhador e merece RESPEITO!” E deixou o aviso que interessa ao calendário: quem despreza o trabalhador precisa ouvir a resposta nas urnas. Seif lembrou de quem levanta de madrugada para manter a cidade limpa e garantir que o lixo de todo mundo seja recolhido. A dona de casa que desce com o saco na hora do caminhão conhece esse Brasil de cor. O presidente, pelo visto, conhece outro país, visto da janela do palácio.
“Enquanto o Lula trata o gari como ‘coisa pobre’, Jair Bolsonaro parava no meio da rua para cumprimentar, reconhecer e valorizar quem trabalha de verdade. A diferença aparece nos gestos”, afirmou General Pazuello. O analista politico Clarke de Souza foi ao arquivo e trouxe a data exata: 21 de maio de 2021, quando Bolsonaro parou a comitiva presidencial para falar com os garis do DF. Um parou o carro para apertar mãos calejadas. O outro parou de disfarçar o desprezo.
Há um detalhe que escancara o jogo. No domingo à noite, Flávio Bolsonaro publicou o vídeo da declaração com uma pergunta só: “O que você achou da fala do pai do Lulinha?” Repare na moldura: no mesmo fim de semana em que a Veja estampava as farras de Lulinha com o Careca do INSS, o pai decretava que trabalho honesto não dá orgulho. Faz sentido dentro da lógica da casa. Quem nunca sentiu orgulho de crachá dificilmente entenderia o orgulho de quem pendura o uniforme limpo no prego depois do turno.
Convém lembrar de onde veio o personagem. O partido nasceu com nome de trabalhador, sindicato na porta da fábrica, discurso decorado de chão de obra. Quatro décadas depois, o líder histórico trata profissão humilde como defeito de fabricação.
O gari não pediu solidariedade de palanque e não vai ganhar medalha por aguentar desaforo. Segue acordando às 4h, com o orgulho que ninguém revoga. Em outubro, entre o palácio que despreza e a rua que trabalha, a urna vai dizer de que lado mora a dignidade.
Essa matéria faz parte da Revista A Verdade! Acesse a última edição no link: https://assinante.jornaldacidadeonline.com.br/revistas/averdade/298
da Redação