Dívida em casa, silêncio nas fábricas: o Brasil que o Planalto não quer ver
05/09/2026 às 10:26 Política
Os números confirmam o olho da dona de casa. O Estadão registrou recentemente que “diversos indicadores vêm mostrando recordes no endividamento e na inadimplência”, com especialistas citando juros, incerteza fiscal e ‘círculo vicioso’ para empresas e famílias. A senadora Damares Alves foi direto ao ponto: “A situação fiscal do Brasil é desesperadora.” Recorde de dívida dentro de casa virou a assinatura econômica deste governo.
Flávio Bolsonaro prometeu um país “onde o brasileiro não tenha que parcelar o arroz com feijão”. Pare e releia: parcelar comida virou tema de eleição presidencial. Houve tempo em que isso seria piada de humorista. Hoje é plataforma de governo, e o detalhe mais cruel é que faz sentido.
No andar das empresas, a fila é de recuperação judicial. O senador Jorge Seif descreveu o padrão: “Empresas tradicionais do mercado brasileiro entrando em recuperação judicial ou fechando as portas. A lista só cresce desde 2021. O padrão é sempre o mesmo: pegaram crédito na época de juro baixo, investiram, e quando a Selic disparou, a dívida ficou insustentável.” O deputado Alexandre Ramagem completou o quadro: “Diversas empresas brasileiras quebrando, em recuperação judicial e saindo do país.” Fábrica que fecha não faz barulho de manchete, deixa os bairros em silêncio, o que é muito pior.
No meio desse cenário, uma contratação animou o time da reconstrução: Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, entrou em campo. Em vídeo que rodou o fim de semana, escreveu que “o governo precisa parar de atrapalhar quem trabalha, produz e empreende” e que quer “ajudar a construir esse legado”. O senador Carlos Portinho a recebeu no PL com vocabulário de Copa: “A seleção vem reforçada!” Quando economista desse calibre troca o escritório pela campanha, é porque a planilha virou causa.
Há um detalhe que escancara o pânico no Planalto. Renato Giraldi contou a sequência: “Após a promessa de tratamento ‘diferenciado’ aos banqueiros que participaram do jantar com Flávio, Lula agora correu para fazer um convite: um megajantar no Alvorada com os mesmos banqueiros. Pelo visto, o jantar de Flávio tirou o sono de muita gente no Planalto.” O deputado Sóstenes Cavalcante traduziu a cena: “Nunca ofereceu um jantar ao povo pobre, ele sempre defendeu e ama os banqueiros!” Biscoito pela metade na casa do eleitor, taça cheia no palácio.
Do outro lado do balcão, o Brasil real fala simples. Gilson Machado Filho contou o caso do senhor Severino, mais de 20 anos de feira livre em Areia Branca: a melhor época de vendas, disse o feirante, foi no governo Bolsonaro; com a volta do PT, “acabou com tudo de novo”. A página RT do Brasil registrou o desabafo que resume o eleitorado de 2026: “Ideologia? Não é a minha preocupação, isso eu ensino em casa para meus filhos, minha preocupação é meu bolso, os preços, alimentação, luz, gás, combustível, é isso que me preocupa!”
E a desculpa da herança maldita envelheceu: a arrecadação, lembra Seif, bate recorde, e mesmo assim gasta-se mais do que entra; conta de governo que não fecha reaparece, meses depois, como dívida de família. O eleitor sabe fazer conta porque a vida o obrigou a saber. Em outubro, quem anda parcelando a pizza não vai parcelar a resposta.
da Redação