
Mendonça dobra a aposta e pede sessão pública sobre Moraes e Vorcaro

01/09/2026 às 18:50 Direito e Justiça

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta terça-feira (1º) que o plenário da Corte examine, em sessão presencial e pública, o relatório da Polícia Federal (PF) que reúne mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, e destinadas ao ministro Alexandre de Moraes. Mendonça é o relator do caso Master no Supremo.
O documento policial, que permanecia sob sigilo até esta terça-feira, registra uma série de mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes antes da primeira prisão do ex-banqueiro. Na decisão em que retirou o sigilo do material, Mendonça afirmou que os investigadores identificaram novos integrantes de uma “suposta rede de influência e monitoramento”.
Segundo o ministro, a presença desses novos elementos muda o encaminhamento do processo.
“Diante dos novos diálogos”, afirmou, “o caminho inevitável dos presentes autos leva ao plenário deste Supremo Tribunal Federal, instância soberana para analisar, de modo técnico e estritamente jurídico, os novos elementos trazidos pela autoridade policial”.
Mendonça também sustentou que a apreciação do caso precisa ocorrer “de forma pública e transparente”. A sessão presencial deverá ser marcada pelo presidente do STF, Edson Fachin, que ainda não havia se pronunciado sobre o conteúdo das investigações.
Na decisão, o relator citou ainda o princípio constitucional da publicidade dos julgamentos.
“De fato, em um Estado de Direito que se pretende verdadeiramente democrático e republicano, no qual a legitimidade das instituições em geral, e do Poder Judiciário em particular, repousa sobre o efetivo conhecimento, por todos os seus cidadãos, acerca das motivações e fundamentações que embasam as decisões tomadas por autoridades públicas, não há outra forma de deliberação possível senão àquela esculpida em verdadeira cláusula pétrea pelo Constituinte Originário, no inciso IX do art. 93 da Carta de 1988”, prosseguiu.
O dispositivo constitucional mencionado estabelece que os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário devem ser públicos.
Entenda o conteúdo das mensagens
De acordo com o relatório da PF, dois dias antes de ser preso pela primeira vez, Daniel Vorcaro teria perguntado a Moraes se deveria deixar o Brasil.
"Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?", perguntou Vorcaro a um contato que a PF atribui ao ministro Alexandre de Moraes.
A mensagem teria sido enviada em 15 de novembro de 2025. Dois dias depois, o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, determinaria a prisão de Vorcaro.
O teor dos diálogos indica que o então banqueiro tinha conhecimento de que poderia ser alvo de uma medida judicial. Embora a investigação corresse sob sigilo, Vorcaro demonstrava saber que o processo estava sob responsabilidade de Ricardo Leite.
"Bem na semana que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo?", questionou em 15 de novembro.
O relatório também aponta mensagens nas quais Vorcaro teria solicitado a atuação de Moraes junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
"Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso", teria escrito Vorcaro a Moraes em 15 de novembro do ano passado.
No próprio dia da prisão, segundo a documentação policial, Vorcaro teria procurado novamente Moraes para perguntar sobre o andamento da situação.
"Alguma novidade? Conseguimos ter notícia ou bloquear?", questionou.
A avaliação de Mendonça é que os novos elementos precisam ser examinados pelo colegiado do Supremo, com publicidade e fundamentação jurídica, diante da relevância das informações incorporadas à investigação.
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