Finalmente, diretor da PF se manifesta e quase 'chora' ao falar de Mendonça

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O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, avaliou que as determinações do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes no caso do Banco Master podem configurar abuso de autoridade e resultar na nulidade de atos da investigação.

Segundo relatos feitos por Rodrigues a interlocutores, a solicitação de Mendonça à Polícia Federal para levantar informações envolvendo Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o próprio diretor da corporação seria ilegal. O entendimento apresentado pelo chefe da PF está relacionado à necessidade, segundo a interpretação adotada por ministros do Supremo, de autorização do plenário da Corte para que um ministro seja investigado.

Mendonça havia determinado na semana passada que a PF elaborasse um relatório reunindo todas as referências a Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues presentes no material apreendido durante a investigação. O documento acabou sendo encaminhado ao STF e teve o sigilo retirado.

O principal ponto de divergência entre Mendonça e Rodrigues é justamente a natureza da determinação. Enquanto o ministro considera necessário examinar os elementos encontrados no material apreendido, o diretor-geral da PF entende que a iniciativa pode representar uma nova investigação direcionada a Moraes sem a autorização do colegiado do Supremo.

O relatório policial, agora público, descreve uma relação próxima entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. Entre os registros estão conversas realizadas pouco antes da prisão de Vorcaro, quando as diligências da Operação Compliance Zero ainda eram mantidas em sigilo.

Em uma das mensagens, Vorcaro teria pedido ajuda para evitar que o Banco Master enfrentasse dificuldades imediatas.

"Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra", disse Vorcaro a Moraes pouco antes de ser preso.

O material analisado pela PF também apresenta informações sobre um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes e o Banco Master. De acordo com a investigação, o acordo foi formalizado após dois encontros presenciais entre Vorcaro e Moraes.

A aproximação entre os dois teria sido facilitada pelo ex-deputado federal Fábio Faria. Conforme o relato atribuído a Faria, após um dos encontros, Moraes teria demonstrado interesse em avançar com uma proposta comercial.

"Gostei da conversa. Vou montar um negócio bacana demais e já logo na terça-feira eu quero marcar", disse Alexandre, segundo Faria.

Duas semanas depois desses encontros, Viviane Barci e Daniel Vorcaro teriam iniciado as tratativas para estabelecer os termos do contrato com o escritório da advogada.

A controvérsia sobre os limites da atuação de Mendonça acrescenta uma nova frente de disputa ao caso Master, que passou a envolver não apenas as relações de Vorcaro com autoridades, mas também questionamentos sobre os procedimentos adotados para investigar e analisar os elementos encontrados pela Polícia Federal.

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