AO VIVO: Master ultrapassa limites de escândalo meramente financeiro e necessita de resposta nas urnas (veja o vídeo)

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O caso Banco Master ultrapassou há muito os limites de um escândalo financeiro. As revelações extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro colocaram no centro da crise algumas das instituições mais poderosas da República e levantaram questionamentos que não podem simplesmente desaparecer debaixo do tapete.

As mensagens envolvendo Alexandre de Moraes provocaram uma reação política imediata. Senadores defenderam publicamente seu afastamento, por impeachment ou renúncia, enquanto novos pedidos chegaram ao Senado. Ao mesmo tempo, juristas ouvidos pela imprensa afirmam que os elementos conhecidos justificam, no mínimo, uma investigação aprofundada sobre a conduta do ministro.

O próprio presidente do STF, Edson Fachin, reconheceu a gravidade da situação ao afirmar que os indícios exigem o devido encaminhamento institucional e que a autoridade do cargo não concede privilégios. Isso deveria ser o mínimo em uma República: ninguém pode estar acima do escrutínio quando surgem suspeitas dessa dimensão.

No Senado, porém, a reação tem sido muito diferente daquela esperada por quem cobra uma investigação política. Davi Alcolumbre evitou estabelecer prazo para analisar o impeachment de Moraes e, pressionado por senadores, respondeu às acusações mencionando também as relações de outros políticos com Vorcaro. O debate, assim, corre o risco de transformar-se numa disputa de acusações enquanto a pergunta essencial permanece sem resposta: os fatos serão efetivamente investigados até as últimas consequências?

É justamente aí que nasce uma crise muito maior do que o caso Master. Quando parte da população passa a acreditar que instituições responsáveis por fiscalizar umas às outras já não conseguem fazê-lo, o problema deixa de ser apenas jurídico e se transforma numa profunda crise de confiança. E democracia alguma funciona por muito tempo quando seus cidadãos concluem que existem pessoas poderosas demais para serem investigadas.

Se Congresso, Supremo, Ministério Público e demais instituições não forem capazes de oferecer respostas convincentes, transparentes e juridicamente sólidas, o julgamento político inevitavelmente será transferido para outro lugar. Para as urnas.

Em outubro, milhões de brasileiros terão novamente diante de si a ferramenta mais poderosa que uma democracia entrega ao cidadão: o voto. Será a oportunidade de avaliar presidente, senadores e deputados e decidir quem merece continuar exercendo poder em Brasília.

O caso Banco Master pode acabar sendo muito mais do que uma investigação financeira. Pode se transformar em símbolo de uma eleição marcada pela cobrança por responsabilidade, transparência e limites ao poder.

Porque instituições podem adiar decisões. Autoridades podem evitar respostas. Processos podem se arrastar. Mas chega um momento em que quem responde é o eleitor.

Veja o vídeo:

Foto de Emílio Kerber Filho

Emílio Kerber Filho

Escritor e Estrategista Político. Criador do método Arquitetura Eleitoral:
https://emiliokerber.com.br/

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