Fim do Mundo: Moraes quer Mendonça no Inquérito das Fake News (veja o vídeo)

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A crise no Supremo Tribunal Federal acaba de ganhar um capítulo que, há pouco tempo, pareceria inimaginável. Alexandre de Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, providências para que o ministro André Mendonça seja investigado no âmbito do chamado Inquérito das Fake News.

Moraes aponta supostos indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça à frente das investigações relacionadas ao Banco Master e às fraudes no INSS. Também acusa o colega de quebra de imparcialidade, interferência nas investigações e direcionamento de apurações contra autoridades, entre elas o próprio Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O pedido foi encaminhado a Fachin, a quem caberá decidir os próximos passos.

O detalhe que transforma o episódio em algo ainda mais explosivo é o contexto. Dias antes, Mendonça havia retirado o sigilo de material da investigação da Polícia Federal envolvendo Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. O relatório trouxe à tona mensagens e informações relacionadas ao banqueiro e a tratativas envolvendo Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes.

Agora, justamente o ministro que tomou decisões que permitiram que essas informações viessem a público passa a ser alvo de um pedido formulado por Moraes dentro do Inquérito 4.781 — o controverso Inquérito das Fake News. É uma situação institucional extraordinária: um ministro do Supremo utilizando um inquérito sob sua condução para apontar possíveis crimes e irregularidades atribuídos a outro integrante da própria Corte.

Isso não significa, é importante registrar, que as acusações de Moraes contra Mendonça estejam comprovadas. Há questionamentos jurídicos sobre a forma como Mendonça conduziu determinadas diligências, inclusive entre especialistas ouvidos pela imprensa. Da mesma maneira, as informações reveladas nas investigações envolvendo Moraes precisam ser apuradas com rigor e contraditório.

Mas é justamente aí que está o ponto político mais grave. Quando integrantes da mais alta Corte do país passam a protagonizar acusações dessa magnitude uns contra os outros, o problema deixa de ser apenas pessoal ou corporativo. Torna-se uma crise institucional que exige transparência absoluta.

O Brasil chegou a um cenário surreal: um ministro do STF manda investigar outro ministro do STF enquanto ambos estão envolvidos, de maneiras distintas, nos desdobramentos de uma investigação que sacode Brasília.

Se isso não é sinal de que alguma coisa profundamente séria está acontecendo no coração das instituições brasileiras, fica difícil imaginar o que seria.

O “fim do mundo” talvez seja apenas uma figura de linguagem.

Mas a crise no Supremo é absolutamente real.

Veja o vídeo:

Foto de Emílio Kerber Filho

Emílio Kerber Filho

Escritor e Estrategista Político. Criador do método Arquitetura Eleitoral:
https://emiliokerber.com.br/

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