Deu a louca no editorialista do Estadão!

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Diz o editorialista:

“É preciso dizer sem rodeios: o sr. Alexandre de Moraes e todos os que o protegem no STF - a começar pelo decano do tribunal, Gilmar Mendes - se tornaram, não de agora, a maior fonte de instabilidade democrática do país”.

E continua:

“Essa ala daninha da Corte traiu o espírito norteador da criação do Supremo Tribunal Federal, em 1891, e a transformou nessa aberração corporativista que ameaça afundar o Brasil em uma crise de tal magnitude que, no limite, pode pôr em risco a própria democracia”.

Este trecho contém duas novidades importantes em relação aos dois editoriais anteriores: 1) chama Gilmar Mendes para a dança e 2) a “ala daninha” da Corte coloca a democracia brasileira em risco “não é de hoje”. Vejamos.

Está longe de ser trivial nomear um ministro em um episódio no qual, em princípio, não está diretamente envolvido. Ao dar nome ao grande boi que realmente movimenta as cordas do Supremo e da vida política do País, o Estadão está indo à raiz do problema. Moraes é só o delegadão brutamontes e sádico que tem como missão aterrorizar os “bandidos”. A eminência parda dessa grande delegacia em que se transformou o STF é Gilmar Mendes. Tirá-lo de trás das cortinas e expô-lo sem rodeios já é um grande avanço.

A segunda parte é ainda mais interessante. Não pela ameaça à democracia, acusação que não é nova por parte do Estadão, mas pela expressão “não é de hoje”. A frase é bem-vinda. O colunista do jornal, Fernando Schüler, costuma bater na tecla de que quem decide o momento de entrar e sair da excepcionalidade é o Poder, não os diversos atores da sociedade. É o Poder que define quem é o inimigo a ser combatido de maneira excepcional, e quando esse combate “terminou”. Justificar a excepcionalidade adotada pelo Poder a depender do inimigo a ser combatido é contratar a arbitrariedade. A “ameaça à democracia” por parte do Supremo não é de hoje justamente porque a excepcionalidade não é de hoje.

O barulho da opinião pública está ensurdecedor, e este editorial é só um exemplo. Vamos ver se algo se move.

Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.

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