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Em tempos nos quais alianças são abandonadas conforme a conveniência, reconhecer publicamente quem nos ofereceu confiança tornou-se quase um ato de coragem.
Ninguém realiza um grande trabalho apenas porque foi indicado para determinado cargo. A indicação abre uma porta; não constrói estradas, não administra governos nem produz resultados. Quem transforma uma oportunidade em obra concreta é o profissional que trabalha, enfrenta dificuldades e demonstra competência.
Entretanto, também seria ingratidão esquecer quem enxergou essa capacidade antes dos demais e decidiu oferecer-lhe crédito. Confiar em alguém é assumir um risco — e esse gesto merece reconhecimento quando a confiança depositada produz bons frutos.
Lealdade não significa obediência cega, submissão ou ausência de pensamento próprio. Significa não reescrever a própria história quando o poder, a popularidade ou as conveniências mudam de direção.
Tarcísio de Freitas não deve seu trabalho a Jair Bolsonaro. Os resultados pertencem a quem os realizou. Mas reconhecer que Bolsonaro confiou nele e lhe abriu importantes oportunidades demonstra caráter, gratidão e respeito pela própria trajetória.
A competência explica o sucesso. A oportunidade ajuda a iniciá-lo. E a lealdade revela quem a pessoa realmente é quando já não precisa pedir licença para caminhar sozinha.
Porque cargos terminam, governos passam e interesses mudam — mas a gratidão de uma pessoa honrada não deveria ter prazo de validade.
Jayme Rizolli
Jornalista.







