O elo entre a ligação telefônica de Temer para Moraes e a sua viagem com Daniel Vorcaro

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Michel Temer confirmou que, no feriado de 7 de setembro, falou por telefone com Alexandre de Moraes. A ligação, segundo ele, foi breve. Tratou de pacificar o STF e aconselhou o ministro a dialogar com André Mendonça. Não há registro público do que foi dito — só o relato de Temer.

O escritório de advocacia do ex-presidente também recebeu pagamentos do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Documentos da Receita Federal enviados à CPI apontam R$ 10 milhões em 2025. Temer contestou o valor e disse ter recebido R$ 7,5 milhões — R$ 5 milhões e R$ 2,5 milhões — por mediação e consultoria jurídica, inclusive na tentativa de vender o banco e na busca de investidores. Chamou os pagamentos de honorários, não de “dinheiro”.

No início de novembro de 2025, cerca de duas semanas antes da prisão de Vorcaro, Temer viajou com o banqueiro aos Emirados Árabes. Os dois estiveram em Abu Dhabi, jantaram no palácio do sheik Abdullah bin Rashid Al Mualla e posaram para uma foto.

Em 17 de novembro, o grupo Fictor e investidores dos Emirados anunciaram aporte no Master. Vorcaro foi preso nesse dia, no aeroporto de Guarulhos. A defesa disse que ele ia a Dubai assinar o contrato. A Polícia Federal, contudo, apontou Malta — paraíso fiscal e escala no plano de voo do jato — como destino intermediário. Escala técnica, para a defesa. Destino conveniente, para a PF.

A Malta Gaming Authority é um dos principais reguladores de jogo da Europa, e empresas que atuam no Brasil — Betano, Superbet, Sportingbet, Blaze e outras — costumam registrar-se em Malta, Curaçao ou Belize. Lá o imposto nominal é 35%, mas o reembolso aos acionistas não residentes reduz a carga efetiva a cerca de 5%.

Os Malta Files, de 2017, listaram 148 brasileiros ligados a 177 empresas na ilha. Nos registros ligados à Lava Jato aparecem subsidiárias da Odebrecht, filial da Queiroz Galvão, firmas de Sérgio Lins Andrade (Andrade Gutierrez), os doleiros de Sérgio Cabral – Marcelo e Renato (Apui Holdings e Regulus Holding), a Mediterranean Oil & Gas Consulting, associada a Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, irmão de José Dirceu, e uma empresa de jogo do bicho de Ricardo Saud, o “homem da mala” da JBS/Friboi.

Evidentemente, abrir empresa em Malta não é crime. O problema é o mesmo paraíso fiscal voltar a aparecer ligado a nomes investigados por corrupção e sonegação.

Foto de Lucia Sweet

Lucia Sweet

Jornalista

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