A insensata e absurda equiparação entre o caso Moraes e o filme Dark Horse

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Diante da impossibilidade de varrer para baixo do tapete toda a lama exposta sobre Moraes, o regime encontrou a saída: equiparar o caso Moraes ao caso do filme do Bolsonaro. Desde que o sigilo da investigação foi levantado, na quinta-feira, a operação é pintar Mendonça como alguém que estaria blindando bolsonaristas. Para variar, é uma grande farsa.

Flávio Bolsonaro e seu grupo não contam com poder algum, tanto é que seu pai está preso, e vários bolsonaristas seguem ativamente perseguidos.

Não há nada que Flávio pudesse entregar a Vorcaro. Portanto, não faz sentido acreditar que o banqueiro tenha comprado favores ao patrocinar o filme. Ele poderia, claro, estar fazendo um hedge político, mantendo laços para o caso de mudança no poder. Mas isso, por si, não é crime.

Ademais, é preciso lembrar: foi o próprio Mendonça quem ABRIU a investigação contra Flávio, ainda em julho, a pedido da PF e com aval da PGR. Que tipo de blindagem é essa?

E depois de uma devassa, incluindo aí a ação do comissário Dino, que nem deveria estar com esse caso nas mãos, nada de ilegal apareceu até aqui contra Flávio em relação ao filme.

Veja, por outro lado, o que já sabemos sobre Moraes: nas mensagens apreendidas e periciadas pela PF, Vorcaro pergunta ao ministro "Conseguiu bloquear a maldade?" e, dois dias antes de ser preso, se já deveria estar fora do país... tudo enquanto o escritório da esposa de Moraes mantinha um contrato de R$ 129 milhões com o banqueiro, entre outras cositas más. Moraes nega as mensagens. A perícia está nos autos.

Resumindo: de um lado, um senador de oposição, com o pai preso, que buscou dinheiro para um filme. Do outro, o ministro com o poder real da caneta na mão, recebendo súplicas do réu enquanto os milhões corriam para dentro de casa.

Equiparar as duas coisas não é jornalismo nem análise. É operação de manipulação em massa da opinião pública, para tratar como gêmeos comportamentos que estão a quilômetros de distância em gravidade. E ela só existe porque a lama verdadeira já não cabe debaixo do tapete.

Leandro Ruschel.

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