Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.
Durante muito tempo, ele permaneceu sentado no alto de seu trono nacional, contemplando o país de cima para baixo. Ao redor, uma corte inteira o reverenciava. Alguns por admiração, muitos por conveniência e outros simplesmente por medo.
Parecia intocável.
Até que surgiu um cidadão aparentemente pequeno diante daquela estrutura gigantesca. Chamava-se André Mendonça e trazia nas mãos apenas uma marreta — não de ferro, mas feita de documentos, decisões e perguntas que já não podiam ser evitadas.
A primeira pancada provocou apenas um ruído.
A segunda abriu uma rachadura.
Na terceira, o imponente trono começou a balançar.
O mais revelador, entretanto, não foi o estremecimento do pedestal. Foi perceber que ninguém ao redor correu para sustentá-lo. Os antigos admiradores recuaram, os aliados silenciaram e aqueles que antes disputavam um lugar próximo passaram a observar tudo a uma distância bastante segura.
Talvez já soubessem que o trono não era tão sólido quanto parecia.
Quem se acostuma a ser glorificado pode confundir reverência com lealdade. Mas é justamente quando o pedestal começa a ruir que se descobre quem era companheiro e quem apenas permanecia por perto enquanto o poder parecia indestrutível.
Mendonça ainda não derrubou o trono. Porém, suas marretadas mostraram ao Brasil algo decisivo:
O ocupante ainda continuar sentado — mas já não está tão seguro nas alturas.
Jayme Rizolli
Jornalista.