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Sábado, 12 de setembro, 8h45 da manhã. Junio Amaral coloca duas frases lado a lado: “Lula em 22: ‘a gente vai voltar a comer picanha passada na farinha’ Lula em 26: ‘se não tem carne a gente come ovo’”. Estava dado o tema do fim de semana. A frase presidencial, conforme reproduziu Daniel Freitas no mesmo sábado (12/9), continuava: se não tem ovo, come carne; como não tem os dois, come como ele comia quando levava marmita, feijão e arroz puro, sem mistura. Releia. É o presidente da República ensinando o pobre a comer sem mistura.
Os números que cercam a frase vieram antes dela. Jorge Seif Junior citou na quinta-feira, 10 de setembro, a pesquisa Genial/Quaest com 2 mil brasileiros: “O carrinho que enchia com R$ 500 hoje volta pela metade.” Sergio Moro, no sábado (12/9), falou em mais de 80% das famílias brasileiras levadas ao endividamento. O perfil do Partido Liberal, na sexta (11/9), contou mais de 30 impostos no atual governo e resumiu o resultado: “atraso! Brasileiro desempregado, empresas fechando e menos comida na mesa dos brasileiros.”
A reação foi imediata. Sanderson, no sábado (12/9): “Da PICANHA ao OVO. Esse sujeito é o retrato da volta ao passado. Prometeram sucesso. Entregaram fracasso.” Bibo Nunes lembrou que era “o mesmo que, na campanha de 2022, falava em picanha e cervejinha para o povo brasileiro”. Mario Frias, no domingo, 13 de setembro, resumiu em dois horários: “23:59: o pobre vai voltar a comer picanha. 00:00: se não tem carne, come ovo.” O perfil do Partido Liberal, na madrugada do domingo (13/9), foi ao ponto: “Lula prometeu picanha e não entregou. As famílias estão endividadas, o dinheiro não dá até o fim do mês e agora ele quer que o brasileiro se contente com ovo. Hoje ele manda você mudar o prato. Amanhã, vai querer que você se acostume a ter cada vez menos.”
Flávio Bolsonaro, no sábado (12/9), preferiu falar de quem paga: “O seu salário tem que ser seu, não do governo. Quem tem que viajar e comer bem é você, não o Lula. Vamos tesourar os impostos, a burocracia e tudo o que atrasa a sua vida.” Na segunda-feira, 14 de setembro, transformou a frase em pesquisa de campo: “Quanto tá a picanha na sua cidade? Coloque o preço nos comentários!” Alfredo Gaspar, em Teresina, no domingo (13/9), deu nome ao personagem, “Lula, o caloteiro da esperança”, e descreveu a fila do mercado: “Chega de um governo que aumenta impostos enquanto o povo tem dificuldade para comprar arroz, feijão, carne, ovo e até uma roupa para o filho.”
Tem um contraste que o Planalto prefere não discutir. Gustavo Gayer avisou na sexta (11/9): “Lula quer te impedir de dizer a verdade sobre a picanha. Tudo mais caro! E quem paga a conta? Isso mesmo, você.” Enquanto o presidente sugere trocar o prato, Tarcísio Gomes de Freitas lembrou, na mesma sexta (11/9), que zerou o IPVA das motos de até 180 cilindradas para entregadores e motoboys, e prometeu zerar o pedágio das motos nas rodovias estaduais de São Paulo. Um governante cortou custo de quem trabalha. O outro cortou a proteína.
Volte a 2022. A picanha e a cervejinha do fim de semana foram o centro da campanha que devolveu Lula ao Planalto, promessa repetida em palanque e em propaganda. Quatro anos depois, Rogério Marinho resumiu o saldo já na segunda-feira, 7 de setembro, diante da Esplanada vazia: “Prometeu picanha, entregou inflação e endividamento.” Jorge Seif Junior listou o resto no mesmo dia (7/9): “Carne cara, gasolina pesada, empresa quebrando, escândalo atrás de escândalo dentro do Palácio.” Nenhum desses itens cabe numa frigideira.
Ovo é o que sobra quando a promessa acaba. A dona de casa que troca a carne pelo ovo já sabia disso antes de o presidente ensinar; o que ela não sabia é que seria chamada a agradecer pela lição. Quem ouviu picanha em 2022 e recebeu receita de marmita em 2026 não precisa de economista para entender a diferença. Basta a nota do supermercado. Ela está presa na geladeira, e ninguém vai apagá-la com discurso.






