
A história mal contada de Dino sobre o Datafolha: O vale tudo para defender Moraes

16/09/2026 às 21:00 Direito e Justiça

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Dino citou o Datafolha para defender Moraes. Mas faltou contar a história inteira.
Durante a sessão do STF desta terça-feira, Flávio Dino recorreu à pesquisa Datafolha para argumentar que a opinião pública não deveria determinar como ministros da Corte votam. Até aí, é uma posição institucional legítima: decisões judiciais não podem ser tomadas simplesmente para atender à popularidade.
O problema está na forma como os números foram apresentados.
Dino mencionou que 34% dos brasileiros defendem o afastamento de Alexandre de Moraes e 37% defendem o afastamento de André Mendonça, sugerindo que Mendonça teria uma rejeição maior.
Só que esses não são os únicos dados da pesquisa.
O mesmo levantamento mostra que 28% defendem a abertura de um processo de impeachment contra Moraes, contra 12% no caso de Mendonça. Também revela que apenas 7% disseram não identificar irregularidade na atuação de Moraes, enquanto 25% afirmaram que Mendonça não cometeu irregularidades.
Portanto, apresentar somente os 34% contra Moraes e os 37% contra Mendonça cria uma fotografia diferente daquela revelada pelo conjunto da pesquisa.
E aqui está a questão que merece ser discutida: se ministros do Supremo não devem votar conforme pesquisas de opinião — e realmente não deveriam — por que utilizar justamente uma pesquisa de opinião para construir uma defesa política de um colega?
A crítica não é sobre Dino citar o Datafolha. É sobre selecionar um dado e deixar de lado outros números relevantes do mesmo levantamento.
O Datafolha ouviu 2.002 pessoas em 125 cidades entre 8 e 10 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais. É uma fotografia da opinião pública naquele período, não uma sentença sobre nenhum ministro.
No fim, a questão é simples: o Supremo não deve decidir pelo clamor das ruas, nem pela pressão das redes sociais.
Mas também não deveria apresentar pesquisas de opinião de maneira seletiva para sustentar uma narrativa.
Se o argumento é que a Justiça não deve se curvar à opinião pública, então que os fatos sejam apresentados por inteiro.














