10 ministros e o destino de uma nação

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Há momentos em que uma sociedade começa a acreditar que já não pode mudar nada.

O medo produz silêncio. O silêncio produz isolamento. E o isolamento cria uma ilusão perigosa: cada cidadão passa a imaginar que sua inconformidade é solitária e, portanto, inútil.

É assim que um povo numeroso pode tornar-se politicamente fraco.

Não porque lhe falte poder, mas porque lhe faltam os instrumentos para transformar milhões de vontades individuais em ação coletiva.

Nesse cenário, já não basta repetir que “todo poder emana do povo”. Quando o cidadão se sente neutralizado, a frase constitucional pode soar distante da realidade. É preciso avançar para uma pergunta mais urgente:

Como o povo recupera, na prática, sua capacidade de influenciar os rumos de uma nação?

Não existe solução mágica. Existe construção.

Primeiro, informação. Uma sociedade que não compreende suas instituições dificilmente consegue fiscalizá-las.

Depois, organização. Associações civis, entidades profissionais, movimentos, universidades, comunidades, imprensa, partidos e organizações locais transformam indivíduos dispersos em participação permanente.

Terceiro, pressão institucional. Cobrar deputados e senadores, acompanhar votações, apresentar propostas, utilizar os instrumentos de participação popular e exigir reformas concretas produz, a longo prazo, mais resultado do que a indignação sem objetivo definido.

Indignação sem ação eficaz apenas fortalece quem concentra poder e alimenta a sensação de impotência. E um povo que se percebe impotente é um desastre para qualquer nação.

Quarto, persistência. Mudanças institucionais profundas raramente acontecem em uma manifestação, uma eleição ou uma legislatura. Democracias mudam quando reivindicações sobrevivem ao entusiasmo inicial e se transformam em projetos duradouros.

E, finalmente, coragem cívica.

Não a coragem da violência ou da ruptura. Essas podem destruir justamente as liberdades que se pretende defender.

A coragem mais difícil é outra: falar dentro da lei, organizar-se, fiscalizar continuamente, conviver com a divergência e continuar participando mesmo quando o resultado não vem imediatamente.

Nenhum Poder deve ser absoluto. Nem Executivo, nem Legislativo, nem Judiciário. A resposta democrática à concentração de poder não é criar outro poder sem limites, mas fortalecer os contrapesos capazes de contê-lo.

Onze homens podem possuir enorme autoridade institucional. Mas o destino de uma nação não pode depender apenas de onze homens.

Cabe ao Congresso exercer plenamente suas atribuições, às instituições preservar o equilíbrio entre os Poderes e ao povo transformar medo em participação, indignação em organização e voto em cobrança permanente. Não precisamos de salvadores, mas de cidadãos conscientes e representantes dispostos a cumprir o papel que a Constituição lhes confiou. É assim, dentro da lei e com persistência, que uma sociedade deixa de assistir à própria história e volta a participar dela.

Foto de Bernadete Freire Campos

Bernadete Freire Campos

Cidadã brasileira, especialista em neurociência, estudiosa do comportamento humano no contexto político.

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