
Merval Pereira faz “mea culpa” e destrói o trio Gilmar, Dino e Moraes

17/09/2026 às 15:34 Política

Siga o Jornal da Cidade Online no Google
Acompanhe as principais notícias do momento direto nos resultados de busca.
Num texto inicialmente dedicado a ministra Cármen Lúcia, o jornalista da Rede Globo, Merval Pereira, finalmente resolveu atuar como um verdadeiro “jornalista” e deu uma lição de decência, ética e bons modos no trio de ministros que, pelo visto, atua em bloco no Supremo Tribunal Federal, em busca de interesses comuns: Gilmar Mendes, Flávio Dino e Alexandre de Moraes. A lição nos 3 magistrados, começa pelo título: Vergonha! Transcrevemos:
Vergonha!
Nélson Rodrigues dizia que o jornalismo moderno era tão comedido que, se o mundo acabasse, daria a manchete sem ponto de exclamação. Pois hoje resolvi usar o ponto de exclamação para transmitir minha indignação. O sinal mais claro da degradação moral que atingiu os integrantes do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) foi a revolta que a fala da ministra Cármen Lúcia provocou entre seus pares. A única componente do plenário que se solidarizou com o povo brasileiro em seu sentimento coletivo de vergonha acabou tratada como uma traidora do corporativismo que toma conta da mais alta Corte de Justiça do país.
A única magistrada a evidenciar que o Supremo provocou um “mal-estar cívico” na sociedade brasileira — devido à exposição de desavenças e bate-bocas durante as sessões — mexeu com os sentimentos mais íntimos dos brasileiros e brasileiras, mas foi incapaz de comover seus pares, perdidos numa guerra vergonhosa pelo poder no STF, para evitar que um dos seus seja investigado. Tentam, assim, manter a intocabilidade deles próprios, provavelmente sentindo-se ameaçados de vir a ser descobertos malfeitos com que nem sequer sonhamos, embora de alguns deles já saibamos o suficiente para desejar que também sejam investigados.
Ao pedir desculpas ao presidente do tribunal, aos colegas e ao povo brasileiro “por não ter conseguido ajudar a acalmar os ânimos de forma mais eficaz”, Cármen Lúcia criticou a repercussão dos casos às vésperas das eleições, afirmando que tal situação faz mal “não apenas ao Poder Judiciário, mas ao país inteiro”. Note-se que, em nenhum momento, apontou o dedo a seus pares, nem ao ministro Alexandre de Moraes, aquele a quem os ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes não tiveram pudor de ajudar fingindo estar em busca da verdade, quando o melhor caminho para isso seria justamente a investigação.
Ela teve o cuidado de se referir aos problemas como causas da decepção da sociedade com o STF, sem se referir ao causador deles, que arrastou consigo a credibilidade da instituição basilar da democracia brasileira. A mesma discrição teve o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, que tentou levar a sessão adiante para evitar o que todos temíamos: seu adiamento em proteção ao colega, mesmo que para isso fosse preciso levar por água abaixo a reputação do tribunal.
Não estavam ali para defender a instituição, como falsamente alegou Dino para pedir vista, quando todos já sabiam de véspera que o faria, mas para defender seus próprios interesses, tão interligados aos de Moraes, expostos nos diálogos que manteve com o banqueiro-bandido Daniel Vorcaro por meio de um sistema de visualização única que pretende não deixar rastros de quem escreveu a mensagem.
O mesmo sistema que o próprio Moraes criticou, como indicativo de que a mensagem continha algum indício de crime para ser apagada de propósito. São esses os indícios que se buscam na investigação barrada, com cenas teatrais de indignação por parte de Gilmar, que — provou-se depois pela troca de mensagens entre ele e os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux — queria mesmo era tirá-los do julgamento para beneficiar Moraes.
Nunes Marques sentiu o golpe e pediu para sair do julgamento e também da sala, para talvez não ouvir o que falariam dele. Fux resistiu e negou as acusações de Dino. Pelo uso das informações que vieram na última leva de transcrições do celular de Vorcaro, ele e Gilmar tiveram conhecimento de eventuais relações dos ministros com o banqueiro, e era essa pescaria que pretendiam para atacar seus colegas. Fizeram o mesmo que acusaram o ministro André Mendonça de ter feito.
Outro aspecto revelador da baixeza moral que predomina no plenário do Supremo foi a maneira como Gilmar, e sobretudo Dino, destrataram Fachin. Este já deveria imaginar o que encontraria pela frente quando enfrentasse Gilmar, pois o conhece bem, e a seus métodos. Enfrentar um plenário onde atuam Moraes, Dino e Gilmar não é para almas sensíveis, pessoas educadas, sérias e equilibradas como Fachin.











