
Moraes dá a Bolsonaro os argumentos que precisava para reverter sua condenação

17/09/2026 às 16:56 Opinião

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Ao se defender no "Caso Master" perante o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre Moraes criticou relatórios da PF que continham apenas "recortes de fragmentos" e mensagens selecionadas fora de contexto.
Ora, essa foi a mesma lógica utilizada pelos advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro no processo envolvendo a famigerada "trama golpista", argumentando que investigações baseadas em dados brutos cortados, sem acesso à totalidade do material, ferem o direito de defesa por impossibilitar a verificação do contexto real das mensagens.
A argumentação da defesa de Bolsonaro não impediu o avanço do processo. A ânsia pela condenação era gigantesca que tudo foi sendo atropelado e Bolsonaro acabou condenado.
Nada como um dia após o outro, agora o próprio Alexandre de Moraes utiliza argumentos que foram utilizados pela defesa de Jair Bolsonaro ao contestar, em sua própria defesa no STF, a metodologia de relatórios da Polícia Federal.
A equipe jurídica do ex-presidente adotou exatamente a mesma linha argumentativa na ação sobre a tentativa de golpe de Estado. A defesa sustenta que as conclusões da PF foram construídas com base em "recortes selecionados" de conversas e que, sem o acesso integral e sem filtros ao material bruto original, a interpretação da polícia torna-se tendenciosa e o processo, nulo.
Inclusive, essa contestação sobre o uso de dados selecionados pela polícia ganhou força no STF com manifestações de outros ministros.
Cristiano Zanin exigiu formalmente a entrega da íntegra de dados telemáticos antes do julgamento para que o conteúdo original que deu origem aos relatórios policiais pudesse ser amplamente conhecido.
Gilmar Mendes afirmou publicamente que o tribunal frequentemente recebe "recortes de diálogos selecionados" e defendeu que o acesso integral aos dados brutos é um direito necessário para avaliar o contexto e a real representatividade das provas coletadas pelos investigadores.
A defesa de Bolsonaro já propôs a revisão criminal e o relator é o ministro Nunes Marques.
A decisão cabe a 2ª turma, que agora poderá utilizar para decidir argumentos que o próprio Alexandre usou em sua defesa.
Gonçalo Mendes Neto. Jornalista.

















