Carta Aberta à Justiça Brasileira

Contradição. A Justiça, - de olhos vendados ou não, - deixou de ser justa?

Com todo o respeito e sinceros agradecimentos aos representantes de bem da nossa Justiça, deixo aqui, para profunda reflexão de cada um deles, as seguintes perguntas:

A Associação dos Juízes Federais vai mesmo pressionar o Supremo Tribunal Federal a manter, em votação, o privilégio do auxílio moradia aos juízes, o que representa “ganhar acima do teto constitucional de 33,7 mil reais”?

Foi mesmo convocada, para 15 de março, uma paralisação da Justiça, de 24 horas, embora este país esteja precisando desesperadamente de “movimentação”, isto é, de “ações enérgicas, em forma de decisões urgentíssimas”, para dar fim à intolerável situação de caos que vem nos sufocando?

Uma Justiça, que decide paralisar os seus trabalhos, para reivindicar auxílio moradia, - mesmo para juízes que possuem casa própria, e mesmo que o privilégio, em questão, deponha contra a nossa Constituição -, não desmerece o seu próprio PODER para combater e solucionar os seguidos ATOS CORRUPTOS, que vêm devastando, vergonhosamente, o Brasil e desacatando a própria Justiça, em si, como um todo?

O que diria sobre isso a deusa Themis, da Mitologia Grega, que simboliza a Justiça, a lei e a ordem, e que, por suas virtudes, sempre foi respeitada por todos os deuses?

Uma vez que, numa visão mais moderna, Themis aparece “sem os olhos vendados”, significando a Justiça Social, - para qual o meio, em que se insere o indivíduo, é tido como agravante ou atenuante de suas responsabilidades -, o que será da “responsabilidade da Justiça”, perante a sociedade brasileira, se for mantida essa enfática defesa do tão supérfluo e incompreendido “auxílio moradia”?

E quanto aos tradicionais símbolos, - a balança e a espada, - exibidos orgulhosamente por Themis? Eles não perdem a sua força, a sua razão de ser, neste caso, já que os pratos iguais da balança indicam que não há diferenças entre os homens, – sejam eles juízes ou não, - quando se trata de julgar erros e acertos?

A lei, portanto, não deve - ou não deveria - ser IGUAL PARA TODOS, absolutamente TODOS, sem qualquer exceção?

Essa IGUALDADE não exige que a nossa Justiça – com ou sem venda nos olhos – aja, invariavelmente, de modo JUSTO - JUSTÍSSIMO! -, sem ignorar ou “passar por cima" dos termos da Constituição ou da tolerância do povo, para obter quaisquer privilégios para si mesma?

A missão da Justiça, enfim, - além de nos proteger daqueles que se acham “acima do bem e do mal”, - não é servir de exemplo impecável, ininterruptamente, a cada cidadão?

Isto não significa “jamais correr o risco de perder a credibilidade, por cair em grave e decepcionante contradição”?



L. Oliver

Redatora e escritora, com diversos prêmios literários, e autora de projetos de conscientização para o aumento da qualidade das sociedades brasileira e global. Participa do grupo Empresários Associados Brasil, que identifica empresas e profissionais em busca da excelência em produtos e serviços no país e no Exterior. Criou e administra o grupo “Você tem poder para mudar o Brasil e o mundo”, de incentivo à população no combate à corrupção. https://www.facebook.com/groups/1639067269500775/?ref=aymt_homepage_panel

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