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Juliana Brizola, candidata ao governo do Rio Grande do Sul, criticou um outro candidato que, num evento público, apareceu brandindo a bandeira dos Estados Unidos. "É certo balançar a bandeira dos EUA ?", questiona ela. Em todo caso, Juliana acaba pisando na bola.
Não sei quando e onde se deu o que ela quer atacar. Mas se podem afirmar algumas coisas que, por ela as ignorar, estragam a imagem da candidata.
1. O avô de Juliana, Leonel Brizola, tendo que exilar-se, fugiu para o Uruguai. Mas fechou o tempo por lá e ele, em vez de ir para Cuba, foi para os EUA. Por quê? O avô reconhecia os EUA como o país da liberdade.
E reconhecer não significa concordar com tudo que se pratica por lá. Mas Brizola (o avô) sabia valorizar a consolidada democracia dos EUA. E era o que ele, ao menos segundo seu discurso, queria para o Brasil.
2. Por que falar em Cuba? Para alertar Juliana. Em 1998, Olívio Dutra foi eleito governador do Rio Grande do Sul pelo PT. E em sua cerimônia de posse, a bandeira de Cuba foi hasteada na sacada do Palácio Piratini, uma afronta dos fantoches do Foro de S. Paulo, que apoiam ditaduras mundo afora e são hoje os aliados de Juliana.
3. Cuba é um regime totalitário, que é a maximização do autoritarismo, um regime em que Estado, governo e partido não se diferenciam, o poder está concentrado nas mãos do partido único, isto é, o partido comunista, uma elite de burocratas corruptos que vive na fartura enquanto o povo passa as piores privações: sem liberdade, sem informação (só existe a imprensa do partido), carência alimentar e tudo que disso deriva.
4. O vice na chapa de Juliana é Pretto, do PT, que, além da bandeira de Cuba, apoia a do Hamas ou, vá lá, da Palestina. (Aqui vai uma afirmação lateral, senão patetas entendem o contrário: o assunto não é Israel).
Volto. O surto de apoio incondicional da esquerda à Palestina veio após o 07/10/2023, quando terroristas do Hamas cozinharam bebês em fornos de micro-ondas, abriram o ventre de gestantes com suas facas para matar o feto, estupraram meninas adolescentes, massacraram idosos, torturaram e mataram a rodo pessoas indefesas só por serem elas judias. Que dizer, quando ativistas do PSOL e do PT, inclusive em convenções partidárias, agitam a bandeira da Palestina em apoio ao "massacre de outubro"?
5. Abraçar terroristas é da natureza do PT e afins. Por que terá Lula, ao voltar ao Planalto em 2023, recebido efusivos cumprimentos dos seus "companheiros" do Hamas? Em 22/09/2023, durante a assembleia geral da ONU, Lula encontrou-se com Abbas, o chefe da Autoridade Palestina, um ex-terrorista (ou terrorista retirado). Nada original. Em 2015, também na assembleia geral da ONU, Dilma Rousseff (PT), ao condenar os ataques que os Estados Unidos fizeram aos radicais do Estado Islâmico, na Síria e no Iraque, defendeu "o diálogo, o acordo e a intermediação da ONU" com os facínoras. É verdade que, depois, ela modulou o discurso, quando a imprensa internacional passou a exibir pessoas decapitadas e a noticiar estupros de meninas e escravização de homens e mulheres pelo Estado Islâmico, pessoas perseguidas só por serem cristãs.
6. Coincidência. Assim como Dilma propôs dialogar com radicais do Estado Islâmico, Juliana acha possível dialogar com os extremistas com os quais se aliou para efeito eleitoral. Não dá!
7. Conviria a Juliana ler o livro "O que sei de Lula", de José Nêumanne Pinto (Topbooks Editora): ficaria sabendo da hostilidade com que Lula (suserano das esquerdas) e seus comparsas trataram o seu avô, quando ele voltou do exílio. O livro também registra o despojamento de Brizola, que, apesar de tudo, aceitou ser candidato a vice de Lula em 1998.
8. Mas Juliana conhecerá o chefão e paradigma das esquerdas? Nêumanne Pinto relata que, depois da campanha de 1998, Brizola declarou que Lula, "para subir, não hesitaria em pisar no pescoço da própria mãe."
9. Só mais uma citação. "Brizola disse que Lula cometia erros políticos porque o álcool era mau conselheiro" (Pinto, p. 221). A resposta de Lula é impublicável, mas merece alusão indireta porque ele não mudou e porque traduz a conduta do PT e afins: ele tentou arrastar para a lama a imagem de D. Neusa Brizola e de Neusinha, a esposa e a filha de Brizola. É a conduta daqueles para quem o o embate político é um vale tudo, os adversários são inimigos e os meios mais sórdidos se justificam.
10. Sim, Juliana pisou na bola. Ao atacar quem brandiu a bandeira dos EUA, ela pôs em evidência o contraste: quem aprecia os EUA (como o alvo de Juliana) propende, no mínimo, a respeitar a liberdade; já quem venera Cuba e celebra terroristas (como os seus aliados) têm outros valores e querem, para o Brasil, um regime autoritário. Cabe perguntar: ela ignora ou apoia a ideologia liberticida de seus aliados?
Seria melhor Juliana Brizola espelhar-se nas qualidades, não nos defeitos do seu avô Leonel Brizola.
Renato Sant'Ana
Advogado e psicólogo. E-mail do autor: sentinela.rs@uol.com.br













