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Em abril, o gabinete do ministro Alexandre de Moraes declarou categoricamente:
“Jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro.”
Agora, um vídeo registrado em 22 de agosto de 2025 mostra Moraes e sua esposa, Viviane Barci, desembarcando no Aeroporto Santos Dumont de um Legacy 650, prefixo PP‑NLR, oficialmente vinculado a uma empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Não se trata de uma fotografia distante, de uma interpretação política ou de uma denúncia anônima. Existe uma aeronave identificada, uma data, um aeroporto e imagens do desembarque.
Além disso, mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, segundo a imprensa, mostram o banqueiro perguntando à empresa que administrava suas aeronaves se “eles” já estavam utilizando aviões e helicópteros. A resposta teria sido afirmativa, acompanhada da orientação para que continuassem disponíveis.
Mesmo depois da divulgação do vídeo, Moraes reiterou que nunca viajou em aeronave de Vorcaro.
Talvez não tenha viajado sozinho. Certamente aparece acompanhado da esposa.
Ou talvez Brasília tenha inventado uma nova forma de explicar o inexplicável: não seria “avião de Vorcaro”, mas apenas um avião registrado em nome de empresa ligada a Vorcaro, administrado por terceiros, liberado a pedido de Vorcaro e utilizado dentro de uma relação contratual envolvendo sua família.
Nesse labirinto de palavras, todos os caminhos continuam conduzindo ao mesmo jatinho.
A existência do vídeo não prova, isoladamente, crime ou favorecimento. Mas cria uma contradição objetiva que não pode ser respondida com nova repetição da frase anterior.
Quem ocupa uma cadeira no Supremo Tribunal Federal tem o dever de explicar com absoluta clareza quem disponibilizou a aeronave, quem pagou a viagem, qual era o destino, qual foi a finalidade e em que condições o casal utilizou o avião.
Porque autoridade pública não pode escolher entre a verdade factual e a verdade gramaticalmente conveniente.
O avião pousou. As imagens apareceram.
E agora é a versão apresentada ao Brasil que precisa permanecer em pé.
Diante das imagens, a contradição ficou tão evidente que nenhuma explicação consegue escondê-la, não foi apenas o jatinho que apareceu: a mentira também ficou impossível de esconder.
Jayme Rizolli
Jornalista.












