Acordo histórico: EUA obtêm direitos militares permanentes na Groenlândia
28/09/2026 às 05:53 Internacional
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em 18 de setembro de 2026 a conclusão de um amplo acordo com a Dinamarca e a Groenlândia que concede a Washington direitos militares permanentes na maior ilha do mundo. O pacto, descrito por Trump como um “acordo de vida infinita”, assegura aos EUA acesso permanente, direitos de base e de sobrevoo, além da possibilidade de instalar instalações militares adicionais conforme necessário.
Segundo um alto funcionário americano que detalhou os termos com exclusividade a veículos como a Fox News Digital e confirmado por autoridades do Departamento de Estado, o entendimento proíbe países não pertencentes à Otan — em especial China e Rússia — de estabelecer bases, enviar tropas ou realizar investimentos sensíveis na ilha sem aprovação expressa por escrito dos Estados Unidos. O acordo permanece válido mesmo em eventual cenário de independência da Groenlândia e não gera custos adicionais para Washington, conforme declarado pelo presidente americano.
Em postagem no Truth Social, Trump celebrizou o feito: “Sob minha orientação, trabalhamos com representantes da Dinamarca e da Groenlândia para garantir que os Estados Unidos tenham PARA SEMPRE total capacidade de fazer o que for necessário na Groenlândia a fim de assegurar e defender a segurança da Groenlândia e dos Estados Unidos da América”.
Ele afirmou ainda que os EUA iniciariam imediatamente o desenvolvimento de uma “grande presença militar” em áreas estratégicas da ilha. O secretário de Estado Marco Rubio reforçou que o pacto “aborda de forma permanente e completa” as preocupações de segurança nacional americanas no Ártico.
A assinatura formal está prevista para a Assembleia Geral das Nações Unidas, na semana seguinte ao anúncio, e o texto ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos da Dinamarca e da Groenlândia para entrar plenamente em vigor.
Contexto histórico e interesses estratégicos
A Groenlândia, território autônomo do Reino da Dinamarca desde o século XVIII, com cerca de 56 mil habitantes e vasta autonomia interna (defesa e política externa permanecem sob responsabilidade de Copenhague), já hospeda a Base Espacial de Pituffik (antiga Thule), sob tratado de 1951 atualizado em 2004. Esse acordo antigo já permitia aos EUA construir, manter e operar bases, controlar pousos e decolagens e alojar pessoal em toda a ilha. O novo pacto aprofunda e torna explícitos esses direitos, acrescentando o veto a adversários e a permanência incondicional.
O interesse americano pela ilha não é novo. Trump já havia proposto comprá-la em 2019, ideia rejeitada como “absurda” pela então primeira-ministra Mette Frederiksen. No segundo mandato, a pressão aumentou: o presidente chegou a não descartar o uso da força e a ameaçar a soberania dinamarquesa, gerando tensão na Otan. A motivação combina fatores geopolíticos e econômicos: posição estratégica no Ártico (rota marítima emergente com o degelo, alerta de mísseis balísticos e vigilância espacial), reservas de terras raras e minerais críticos, e a preocupação com a expansão russa e chinesa na região.
Reações de Dinamarca e Groenlândia
Líderes dinamarqueses e groenlandeses acolheram o acordo com cautela otimista, enfatizando que ele preserva a soberania e a integridade territorial do Reino da Dinamarca, bem como o direito de autodeterminação do povo groenlandês. A primeira-ministra Mette Frederiksen declarou estar “satisfeita com a perspectiva de um bom acordo” que fortalece a segurança comum no Ártico e no Atlântico Norte, sendo positivo também para a Otan e a Europa. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou que o entendimento “reconhece os interesses da Groenlândia” e “beneficia a todos nós”.
O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, expressou esperança de que o período de incerteza dê lugar a um acordo vinculativo que respeite as “linhas vermelhas” do Reino. Autoridades locais reiteraram que a ilha “não está à venda” e que o pacto não implica transferência de território ou soberania.
O acordo marca o fim (pelo menos por ora) de uma das mais tensas crises diplomáticas entre aliados da Otan nos últimos anos. Ele consolida a Groenlândia como parte da área de defesa estratégica da América do Norte, bloqueia a influência de adversários e permite aos EUA expandir sua presença militar de forma unilateral, sem necessidade de aprovação prévia para cada nova instalação. Ao mesmo tempo, a Dinamarca e a Groenlândia mantêm o controle político formal e a possibilidade de futuros caminhos de autodeterminação.
O que já está claro é que Washington sai com garantias militares de longo prazo em uma das regiões mais disputadas do planeta, enquanto Copenhague e Nuuk evitam o cenário de anexação ou compra forçada que pairava sobre as negociações.
da Redação