O voto útil na reta final: o que significa e como entra na disputa de 2026
27/09/2026 às 09:15 Política
Nas eleições majoritárias brasileiras, especialmente para a Presidência, surge com frequência uma estratégia conhecida como voto útil. Em vez de escolher o candidato de sua preferência inicial, o eleitor opta por aquele que apresenta maiores chances reais de vitória e que considera menos distante de suas ideias, com o objetivo de impedir a ascensão de um nome que rejeita. A decisão se baseia no acompanhamento das pesquisas de intenção de voto e na avaliação de quem tem condições concretas de avançar ou vencer.
Essa lógica difere do voto de convicção, que expressa a preferência autêntica do eleitor independentemente das perspectivas de sucesso do candidato. Enquanto o voto de convicção valoriza a diversidade e o fortalecimento de opções alternativas, o voto útil prioriza o resultado imediato, especialmente em cenários polarizados. Nenhum dos dois é obrigatório; a escolha permanece individual e legítima dentro das regras democráticas.
No primeiro turno, a aplicação do voto útil costuma ser mais complexa. Com vários nomes na disputa, as pesquisas mudam com rapidez e a identificação dos candidatos viáveis exige atenção constante. Já no segundo turno, quando restam apenas dois concorrentes, a decisão se torna mais binária: o eleitor escolhe entre o que considera menos inadequado, anula o voto ou se abstém.
Críticos apontam que a prática pode reforçar o domínio de poucos partidos e dificultar a renovação política, pois candidaturas menores raramente conseguem crescer se os eleitores as abandonam sistematicamente. Há ainda o risco de decisões baseadas em levantamentos que não captam mudanças de última hora ou de pressões artificiais por meio de pesquisas enviesadas.
Defensores, por outro lado, veem no voto útil uma forma de responsabilidade política: reconhecer que o resultado das urnas tem consequências concretas e, em certos contextos, agir de modo pragmático. As pesquisas de intenção de voto são o principal instrumento dessa estratégia. Na reta final do primeiro turno de 2026, marcada para 4 de outubro, a estratégia ganhou destaque na campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Com a aproximação nas pesquisas — Datafolha apontando Lula (PT) com 39% e Flávio com 36%, e Quaest mostrando empate técnico ou leve vantagem do senador em alguns cenários de segundo turno —, a equipe do PL passou a fazer apelos diretos a eleitores que inicialmente preferem outros nomes de oposição.
Candidatos como Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema, que somam cerca de 15% das intenções em um dos levantamentos, tornaram-se alvo dessa movimentação. Flávio reforçou o discurso em transmissões e mensagens a apoiadores, pedindo que quem ainda considera outras opções avalie votar nele já no primeiro turno para “resolver a disputa logo”. A campanha concentra agendas no Sudeste, região onde os números recentes mostram crescimento do senador, e evita ataques amplos aos adversários de direita para facilitar a migração de votos.
Do lado petista, a estratégia se volta para reforçar a pauta social e econômica, tentando deslocar o foco de desgastes recentes e ampliar a vantagem em regiões como o Nordeste, mas, pelo visto, sem sucesso, já que o povo está sentindo no bolso e no prato os efeitos dramáticos do governo Lula 3.
Essa matéria faz parte da Revista A Verdade. Acesse a última edição no link: https://assinante.jornaldacidadeonline.com.br/revistas/averdade/301
da Redação