Bets passam de 43 milhões de cadastrados no Brasil, mas setor vive clima de incerteza
Ler na área do assinanteO mercado de apostas no Brasil ganhou uma dimensão ainda maior em 2026. Até o fim de agosto, 43,8 milhões de brasileiros já estavam cadastrados em bets regulamentadas. É um salto de 75,2% em relação ao ano passado, quando eram cerca de 25 milhões de apostadores.
Os números foram divulgados pelo site C-Level, da Folha de S. Paulo, com base em dados fornecidos pelo Ministério da Fazenda por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
Mas tem um detalhe importante nessa história.
Mais cadastros, menos usuários ativos
Apesar da explosão no número de pessoas cadastradas, a quantidade de usuários que realmente movimentaram dinheiro nas plataformas caiu no primeiro semestre.
Segundo os dados, a média mensal de brasileiros que fizeram depósitos ficou em 8,5 milhões, uma queda de 7,6% na comparação com os 9,2 milhões registrados no ano passado.
Janeiro foi o mês de maior movimento, com 10,2 milhões de apostadores. Não por acaso, era justamente o período de início dos campeonatos estaduais.
Depois, o número caiu em abril e voltou a subir em junho, mês marcado pelo início da Copa do Mundo.
É aquele cenário curioso: a porta de entrada das bets continua aumentando, mas uma parcela menor dos cadastrados está efetivamente colocando dinheiro nas plataformas.
Mais de R$ 105 bilhões movimentados
E o dinheiro envolvido é pesado.
Até 28 de agosto, os apostadores já haviam depositado mais de R$ 105 bilhões em bets regulamentadas em nível federal.
Os números, vale destacar, não incluem o mercado clandestino. Como essas plataformas atuam fora da regulamentação, não existe uma base confiável para saber quanto dinheiro circula nesses sites ou quantos brasileiros estão cadastrados neles.
É um cenário que também envolve outras modalidades de apostas e jogos populares no país, como o jogo do bicho, que segue despertando interesse em diferentes regiões.
Ou seja: os dados oficiais mostram apenas uma parte do tamanho do mercado.
Bets entram de vez no debate político
O crescimento do setor acontece justamente em um momento de bastante turbulência.
Regulamentadas desde 2025, as apostas online passaram a enfrentar uma pressão cada vez maior no debate público. Endividamento, publicidade, saúde mental e proteção dos consumidores estão entre os assuntos que colocaram as bets no centro das discussões.
E, em ano eleitoral, o assunto ganhou ainda mais combustível.
Na última sexta-feira, 18 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que tomou a decisão de “acabar com as bets”.
A declaração foi feita durante um comício em Guarulhos, em São Paulo.
“Então, se preparem, porque os donos das bets não vão querer que eu acabe com as apostas, mas eu não sou dono de bet, eu sou presidente da República, e vou acabar com as bets”, declarou Lula.
Governo prepara novas restrições
O governo deve publicar em breve uma medida provisória com novas restrições para o setor. O texto final ainda não foi divulgado.
Uma das possibilidades mencionadas pela imprensa é a proibição dos jogos online, como crash games e slots, mantendo apenas as apostas esportivas.
É justamente essa indefinição que colocou o mercado em estado de alerta.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa empresas de apostas legalizadas, recomendou que seus associados revisem contratos envolvendo publicidade, marketing e patrocínios.
A orientação tem caráter preventivo. A entidade quer que as empresas estejam preparadas para eventuais mudanças nas regras e para possíveis impactos financeiros e operacionais caso novas medidas sejam realmente adotadas.
Enquanto o governo prepara os próximos passos, os números mostram um mercado que continua crescendo em quantidade de cadastrados e movimentação financeira. Ao mesmo tempo, o público também busca alternativas e informações sobre diferentes modalidades, inclusive para jogar no jogo do bicho online.
Só que, agora, com uma interrogação enorme sobre o que vem pela frente.