Ação truculenta do TRE-RJ acaba causando efeito reverso e impulsiona candidato da direita

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Uma ação de fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) durante a campanha do candidato a deputado federal Rafael Satiê (PL) acabou produzindo justamente o tipo de repercussão que seus apoiadores dizem que a fiscalização pretendia evitar. Nesta segunda-feira (21), agentes da Justiça Eleitoral apreenderam, durante um ato de rua em Teresópolis, um quadro com a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro, sob a alegação de propaganda eleitoral irregular.

As imagens da abordagem rapidamente ganharam as redes sociais. No vídeo, Satiê questiona os fiscais sobre a base legal para a apreensão e argumenta que Bolsonaro não é candidato nas eleições de 2026. O candidato classificou a medida como “ridícula” e “loucura”. A repercussão gerou uma onda de manifestações críticas à atuação da fiscalização, com usuários associando o episódio a censura e perseguição política. Procurado pela Gazeta do Povo, o TRE-RJ não havia apresentado resposta até a publicação da reportagem.

O resultado político imediato foi uma exposição nacional que dificilmente Satiê conseguiria obter com uma caminhada convencional de campanha. O episódio passou a circular em veículos de imprensa e nas redes sociais, transformando a apreensão de um simples quadro de Bolsonaro em notícia e projetando o nome do candidato bolsonarista para muito além de Teresópolis. Esse aumento de visibilidade é verificável; afirmar que necessariamente se converterá em votos, entretanto, dependerá do comportamento do eleitorado nas urnas. Satiê concorre a deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro, com o número 2237.

A reação foi reforçada por especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo. A constitucionalista Vera Chemim afirmou não enxergar respaldo constitucional ou legal para a apreensão, enquanto o advogado André Marsiglia criticou a medida e observou justamente o risco do efeito contrário: uma intervenção destinada a restringir a exposição do símbolo político pode acabar multiplicando sua visibilidade. Essas avaliações representam a interpretação dos juristas consultados e não uma decisão judicial definitiva sobre a legalidade da fiscalização.

O episódio evidencia um problema recorrente em medidas dessa natureza: quanto mais ostensiva é a intervenção sobre um símbolo político, maior pode ser sua repercussão. Neste caso, uma fotografia de Bolsonaro que seria vista por algumas dezenas ou centenas de pessoas numa campanha de rua passou a alcançar um público muito maior depois da ação do TRE-RJ. Para Satiê, ao menos no terreno da exposição pública, a fiscalização acabou proporcionando um palco nacional que sua própria campanha provavelmente não conseguiria produzir naquele momento.

Agora, a discussão deixa de ser apenas sobre a fotografia de Bolsonaro e passa a envolver os limites do poder de polícia da Justiça Eleitoral. O episódio ocorrido a menos de duas semanas do primeiro turno deverá continuar repercutindo justamente porque reúne três elementos altamente sensíveis na atual campanha: Bolsonaro, liberdade de expressão e a atuação da Justiça Eleitoral.

Foto de Emílio Kerber Filho

Emílio Kerber Filho

Escritor e Estrategista Político. Criador do método Arquitetura Eleitoral:
https://emiliokerber.com.br/

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